O universo das duas rodas também acelera no Salão do Automóvel

Motocicletas também ganham destaque na 31ª edição do evento Os apaixonados por motocicletas têm um motivo especial para sair de casa nos próximos dias: a 31ª edição do Salão Internacional do Automóvel, que será realizada até 30 de novembro, no Distrito Anhembi, em São Paulo, abriu espaço para uma verdadeira celebração das duas rodas. O público poderá acompanhar a esperada volta da Vespa ao Brasil, ver de perto a GWM Souo S2000 e descobrir as novidades das marcas AIMA, Honda e Suzuki. “As motos sempre fizeram parte da história do Salão do Automóvel e não poderiam ficar de fora nesta edição de retorno. Quem é apaixonado pelo universo das duas rodas vai encontrar modelos para todos os perfis, desde elétricos e scooters até clássicos que marcaram gerações”, diz Thiago Braga Ferreira, gerente executivo do Salão Internacional do Automóvel de São Paulo. A Vespa, ícone mundial do design italiano, retorna ao mercado brasileiro unindo tradição e modernidade — uma combinação que sempre despertou paixão entre colecionadores e atraí novos entusiastas. Representada pela 2W Motors, também responsável pelas scooters Piaggio, a marca exibe desde modelos de entrada, como a VXL 150, até a sofisticada linha de 300 cilindradas, que inclui a Vespa 300 GTS, 300 Supersport e 300 Supertech. Entre os destaques, está a edição especial Primavera 150 Disney Mickey Mouse Edition e as scooters Piaggio, com os modelos Beverly 400, Liberty 150 e Liberty 150 Sport. Quem passa pelo estande, não resiste: faz várias selfies para postar nas redes sociais. A chegada da Touring Souo S2000 marca a estreia da GWM no universo das motos, ampliando ainda mais o leque de novidades do evento. “Isso reforça a importância do Salão do Automóvel como uma verdadeira vitrine de novidades para o consumidor, onde as marcas apresentam novas tecnologias e produtos”, destaca Ferreira. Quem visita o estande do Grupo J. Toledo Motos do Brasil — representante de Suzuki, Suzuki Haojue, Zontes, Kymco e Hisun — encontra lançamentos como a Suzuki GSX-S1000GX, a GSX-8R e a V-Strom 800 (agora com rodas de liga leve). Há ainda a Haojue DL 160 e os quadriciclos Hisun Tactic 550 e 750. No total, são 26 motocicletas e três quadriciclos em exposição, reunindo todo o line-up nacional das marcas. A Honda também atrai olhares com modelos que agradam diferentes estilos e perfis de consumidores, como a CBR1000RR-R, a Transalp e a luxuosa Gold Wing. Já no espaço Memórias Sobre Rodas, com curadoria do Dream Car Museum, o clima é de nostalgia: a Ducati Panigale 1199 S Senna 2014 e a Ducati Monster Senna 2024 emocionam fãs que acompanham a história dessas máquinas lendárias. A AIMA traz uma vitrine completa de produtos, além de demonstrações e test drives. Em seu portfólio, destaque para seis modelos de motos de pequeno porte, com motor elétrico e opções com autonomia superior a 100 km. Entre as e bicicletas elétricas, os visitantes podem encontrar produtos que combinam potência e estabilidade, tanto para ser usadas em ciclovias ou em trajetos irregulares. Ingressos disponíveis Palco das grandes tendências e do futuro da mobilidade, o Salão do Automóvel retorna ao Distrito do Anhembi com uma programação repleta de atividades para visitantes de todas as idades. Os ingressos continuam à venda exclusivamente no site oficial www.salaodoautomovel.com.br. Além de Honda, GWM, Suzuki Motos e Vespa, BYD, Caoa Changan, Caoa Chery, Citroën, Denza, Fiat, GAC, Geely, Hyundai, Jeep, Kia, Leapmotor, Lecar, MG Motors, Mitsubishi, Omoda & Jaecoo, Peugeot, RAM, Renault e Toyota, estão entre as marcas expositoras. A maior pista indoor Test drive Uma das grandes novidades dessa edição é o Drive Experience, a maior pista de test drive do mundo, com 14 mil metros quadrados, projetada para receber 1 mil visitantes por dia. Ali, eles podem testar veículos de marcas como BYD, Caoa Changan, Citroën, Fiat, GAC, Geely, GWM, Honda, Jeep, Leapmotor, Peugeot, RAM e Renault. O SDA Talks é o ponto de encontro para quem deseja se atualizar e se conectar às principais tendências do universo automotivo, com conteúdo dinâmicos, interativos e voltados ao futuro do setor. A Arena de Customização by Batistinha apresenta ao vivo o processo criativo e técnico das modificações automotivas com Fernando Baptista, um dos principais nomes do segmento. Clássicos e simuladores Para quem admira os carros clássicos, dois espaços trazem modelos exclusivos e raros. Além das motos históricas, o Memória sobre Rodas do Dream Car Museum São Roque, exibe 13 carros, como o único Bugatti EB110 GT existente no Brasil, de 1994, além de outros modelos, como a Dodge Daytona ano 1969, Ferrari Dino 1973, Miura X8 Targa 1988, DeLorean DMC-12 ano 1981, Batmóvel 1989, e a nova Ducati Monster Senna 2024. Já o CARDE Arte Design Museu traz uma linha do tempo interativa com carros que marcaram época em outras edições do Salão do Automóvel, como VW Kombi 1960, Ferrari F40, Uirapuru, Dodge Charger R/T, VW SP2 e VW Gol GTI na sua inconfundível cor Azul Mônaco. Também representado na edição 2025, o universo dos games e dos simuladores traz toda a emoção das pistas de corrida. A Racing Game Zone by João Barion conta um simulador de drift de última geração e o mais recente carro do piloto, o Corvette C7 Z06. Os fãs de corridas também podem conferir os espaços dedicados ao FIA WEC – Rolex 6 Horas de São Paulo e à NASCAR, com carros de corrida e simuladores interativos. Pensado para crianças, o LEGO® Experience apresenta um carro de Fórmula 1 em tamanho real e o capacete de Ayrton Senna, ambos construídos inteiramente com peças LEGO®. SERVIÇO 31º Salão Internacional do Automóvel de São Paulo De 22 a 30 de novembro de 2025 Distrito Anhembi – Rua Olavo Fontoura, 1209 – São Paulo/SP Ingressos: www.salaodoautomovel.com.br
Pequenas oficinas, grande impacto: 8 em cada 10 negócios do setor são de porte reduzido

Estudo da Oficina Brasil mostra o protagonismo dos reparadores independentes e aponta desafios na relação com a indústria de autopeças Oito em cada dez oficinas brasileiras são de pequeno porte, e nelas a manutenção preventiva se consolidou como principal motor de crescimento. É o que mostra o estudo exclusivo da Oficina Brasil ‘O Futuro da Relação: Indústria Reparador’. O levantamento também evidencia que a realidade do setor é marcada por operações enxutas: 80% das oficinas são de médio e pequeno porte, geralmente com a gestão concentrada no proprietário. Nesse cenário, a busca por qualificação técnica é quase unânime. 97% dos reparadores afirmam precisar de atualização contínua para atender à crescente demanda por manutenção preventiva. “A manutenção preventiva se tornou o principal motor de crescimento das oficinas independentes, que hoje respondem por grande parte dos atendimentos no Brasil. Isso mostra como o reparador desempenha um papel central não apenas na rotina dos motoristas, mas também na sustentabilidade econômica de toda a cadeia automotiva”, afirma André Simões, diretor da Oficina Brasil. Reparadores e indústria Quando o tema é a relação com a indústria, surgem sinais de distanciamento. Embora 82% dos reparadores sintam orgulho em indicar uma marca, 60% acreditam que não são ouvidos e 34% nunca receberam apoio relevante de fabricantes. A fidelização também mostra fragilidade: 67% têm sempre duas ou três opções equivalentes ao escolher peças, e apenas 12% declaram fidelidade real. Entre os atributos mais valorizados, destacam-se a qualidade (65%) e a confiança (48%), que superam preço ou status da marca. Os desafios diários também reforçam o papel estratégico das oficinas independentes. Segundo o estudo, os problemas que mais tiram o sono dos reparadores são turnover (47%), retrabalho (40%) e prazo de entrega de peças (30%). Entre as maiores necessidades, 97% destacam a qualificação profissional e atualização técnica, seguidos por gestão da oficina (54%) e acesso a ferramentas (11%). A força das comunidades O estudo evidencia que os reparadores recorrem cada vez mais às suas próprias comunidades para trocar informações e resolver problemas técnicos. Entre os entrevistados, 70% afirmaram buscar colegas de profissão ou participar de grupos e fóruns, enquanto 50% mencionaram tutoriais em vídeo e 39% citaram materiais técnicos como recursos utilizados. Esses percentuais são complementares e revelam a diversidade de canais acionados pelos profissionais no dia a dia. Os insights revelam que a maior parte dos reparadores que participam de grupos interage de forma ativa nesses espaços, demonstrando engajamento na troca de informações. Ainda assim, 75% afirmam já ter deixado algum grupo em função de conflitos, excesso de propaganda ou falta de conteúdo útil. Os dados também mostram que a objetividade é determinante na rotina dos reparadores. O vídeo curto desponta como o formato preferido de aprendizado (60%) e também como a principal alternativa quando estão sem tempo (63%). Além disso, outros recursos complementam essa busca por praticidade: 37% recorrem a materiais técnicos em PDF ou manuais, 34% a vídeos passo a passo e 17% a cursos longos estruturados. Em momentos de maior demanda, além do vídeo rápido, 45% priorizam a troca direta com colegas e 28% a pesquisa na internet, reforçando que o conteúdo técnico precisa ser prático, acessível e adaptado ao ritmo dinâmico das oficinas. “Os reparadores buscam proximidade, capacitação e canais de comunicação mais diretos com as marcas. Fortalecer esse diálogo é essencial para conquistar fidelidade e criar comunidades sólidas de profissionais”, destaca Rômulo Galvão, Diretor de Produto e Tecnologia do Oficina Brasil. Metodologia da pesquisa A pesquisa teve abrangência nacional e considerou oficinas em diferentes estágios de maturidade. Do total, 45,9% são negócios maduros (11 a 20 anos de operação), enquanto 40% já ultrapassaram duas décadas de atuação. Em termos de porte, 47% são pequenas e 42% médias empresas, reforçando que o segmento é composto majoritariamente por operações enxutas, mas com papel central no ecossistema automotivo.
Salão do Automóvel recebe mais de 85 mil pessoas no primeiro final de semana

Mais de 85 mil visitantes passaram pelos corredores do Distrito Anhembi neste fim de semana (22 e 23 de novembro) durante o Salão Internacional do Automóvel de São Paulo. O retorno do evento reforça sua importância como principal vitrine da indústria automotiva e comprova que a paixão dos brasileiros por carros continua mais viva do que nunca. Quem visitou, aprovou o novo formato, que reúne mais de 300 modelos em exposição e oferece uma programação de atividades interativas para todos os gostos e idades. “Estamos de volta com um roteiro de experiencias pensadas para resgatar todo o legado e história do Salão do Automóvel com exposição de clássicos, supermáquinas e principalmente a inovação, que é a nossa grande vocação”, afirma Mayra Nardy, diretora de portfólio da RX, empresa responsável pela organização do evento. O presidente da Anfavea, Igor Calvet, também comemora o sucesso. “O público estava com saudade do Salão e acreditou, junto com a gente, que esse retorno seria histórico e foi. Vimos as pessoas se divertindo, descobrindo novidades, reencontrando ícones do passado e vivendo de perto tudo o que a nossa indústria tem de melhor. Os expositores também estão satisfeitos, animados e confiantes com a força desse retorno. O Salão voltou para ficar”, afirma. Atrações Ao longo desta semana, os visitantes podem aproveitar todas as experiências com mais tranquilidade. “Os dias de semana tendem a ser mais tranquilos. Nossa expectativa é que, no fim de semana, os ingressos se esgotem, assim como ocorreu no primeiro sábado”, explica Mayra Nardy. Com corredores menos movimentados, explorar os lançamentos das marcas expositoras, os dois espaços dedicados a carros clássicos e as supermáquinas, renovadas diariamente, torna-se ainda mais agradável. Os visitantes também podem aproveitar para testar os carros na maior pista indoor do mundo, que foi desenvolvida exclusivamente para o evento, com mais de 14 mil metros quadrados. Para os fãs da velocidade, o Salão oferece um espaço exclusivo dedicado à FIA WEC – Rolex 6 Horas de São Paulo e à NASCAR, reunindo carros de corrida e simuladores interativos que trazem o clima das pistas para o Distrito Anhembi. A criançada vai se encantar com a LEGO® Experience, que traz um carro de Fórmula 1 em tamanho real e o capacete de Ayrton Senna, construídos inteiramente com peças LEGO®. Os ingressos continuam à venda exclusivamente no site oficial www.salaodoautomovel.com.br. 31º Salão Internacional do Automóvel de São Paulo De 22 a 30 de novembro de 2025 – Distrito Anhembi – São Paulo/SP. Rua Olavo Fontoura, 1209 Mais informações: www.salaodoautomovel.com
Abipeças e Sindipeças lideram debate sobre descarbonização automotiva na COP30

A Abipeças e o Sindipeças, entidades que representam mais de quinhentos fabricantes de autopeças no Brasil, têm participado ativamente das ações da COP30 Brazil, em Belém (PA). O diretor de Tecnologia e Sustentabilidade, Gábor Deák, apresentou o tema “Os caminhos da descarbonização para o setor automotivo no Brasil” em painel promovido pela Anfavea, e destacou o investimento previsto de US$ 50 bilhões pelo setor de 2024 a 2030. “Isso demonstra nosso compromisso com inovação e sustentabilidade.” Outro ponto relevante abordado por ele é a importância da inspeção técnica veicular, para garantir eficiência e segurança aos 48 milhões de veículos da frota circulante brasileira, e a inegável necessidade de intensificar o uso de combustíveis renováveis, “campo no qual o Brasil tem excelência e liderança”. Modelo exitoso – As ações da Abipeças pela redução das emissões de carbono são numerosas e incluem a presença de representantes de entidades similares europeias, norte-americanas e asiáticas em eventos que a entidade promove para seus associados e outros públicos. Outro bom exemplo é a participação do diretor do Segmento para Veículos Comerciais da Abipeças e do Sindipeças, José Eduardo Luzzi, em reunião do Parlamento Europeu, em outubro, na Bélgica. “A audiência demonstrou grande interesse naabordagem plural e tecnologicamente flexível adotada pelo Brasil, na bemsucedida experiência com os biocombustíveis e em nosso extraordinário potencial para sua produção sustentável”, relata. Apoio – O setor de autopeças defende a coexistência de todas as todas tecnológicas de propulsão que considerem as vantagens competitivas do Brasil, um dos países com maior quantidade de fontes de energia limpa do mundo. Essa posição tem sido apresentada e defendida em vários fóruns dosquais a Abipeças e o Sindipeças participam. “Nosso País é protagonista no movimento da descarbonização dos transportes e fonte de inspiração para mercados semelhantes, aos quais podemos exportar tecnologias, biocombustíveis, veículos, motores e autopeças”, assegura Cláudio Sahad,presidente das entidades. Nessa linha, o setor de autopeças apoia sugestões apresentadas pelo Instituto MBCBrasil − do qual a Abipeças é integrante − e outras entidades no documento denominado Acordo de Belém. Dentre eles, a meta de quadruplicar a produção e o uso de combustíveis sustentáveis até 2035, triplicar a capacidade de energia renovável e duplicar a eficiência energética. Excelência − Há 50 anos o Brasil deu um passo importantíssimo na direção da redução das emissões de carbono, quando o mundo ainda nem sequer falava em aquecimento global. Em 1975 nascia o Programa Nacional do Álcool (Proálcool), uma das mais criativas respostas à crise do petróleo, que assustava muitas nações naquela época. Esse programa ímpar foi o embrião do desenvolvimento, décadas depois, dos motores flexfuel. A inquestionável excelência da engenharia brasileira está demonstrada nessas soluções, que colocaram o Brasil no seleto grupo de países mais bem preparados para a tão necessária descarbonização.
Câmara endurece regras contra receptação de cargas roubadas e mira o “CNPJ de fachada”

Em uma resposta direta ao crescimento alarmante do roubo de cargas no Brasil, a Câmara dos Deputados aprovou, no dia 19 de novembro de 2025, uma emenda ao Projeto de Lei 5.582/2025 que prevê a suspensão imediata do CNPJ, por 180 dias, de qualquer empresa que seja constituída ou utilizada para facilitar, permitir ou ocultar a prática de receptação de mercadorias roubadas. A medida, de autoria do deputado Capitão Alden (PL-BA) e relatada pelo deputado Delegado Caveira (PL-PA), foi inserida no pacote de projetos de lei conhecido como “antirrime” e recebeu apoio quase unânime no plenário. O texto agora segue para análise do Senado. O roubo de cargas já é a principal porta de entrada de recursos para o crime organizado no país. Segundo dados da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), o Brasil registrou mais de 14 mil ocorrências só em 2024, com prejuízo estimado em R$ 1,2 bilhão. São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais concentram quase 80% dos casos. O que chamou a atenção das autoridades, porém, foi a sofisticação do esquema: criminosos criam empresas de fachada (muitas vezes transportadoras ou distribuidoras fantasmas) exclusivamente para emitir notas fiscais frias e “esquentar” a carga roubada. Essas notas permitem que os produtos cheguem ao varejo formal como se fossem legais. Sem o CNPJ ativo, a mercadoria roubada perde valor de mercado quase instantaneamente.“Hoje o bandido rouba o caminhão na segunda-feira e na quarta já está vendendo o produto em loja de shopping com nota fiscal. A empresa que emite essa nota é tão criminosa quanto quem coloca a arma na cabeça do motorista”, resumiu o relator Delegado Caveira durante a votação. O que muda na prática? Com a aprovação da emenda: A medida atinge tanto empresas criadas exclusivamente para o crime (as famosas “laranjas”) quanto companhias legítimas que, por omissão ou conluio, acabam sendo usadas na cadeia de escoamento da carga roubada. O texto ainda precisa passar pelo Senado e, se aprovado sem alterações, segue para sanção presidencial. Parlamentares da base governista já sinalizaram que pretendem acelerar a tramitação ainda em 2025, aproveitando o clima de endurecimento penal que vem marcando o fim do ano legislativo.Se virar lei, a suspensão automática do CNPJ será uma das ferramentas mais duras já criadas contra o crime patrimonial no Brasil desde a Lei Anticrime de 2019. Para o roubo de cargas, o recado é claro: acabou a farra de quem transforma crime em nota fiscal.
Setor de biocombustíveis lança Carta de Belém na COP30 e propõe quadruplicar combustíveis sustentáveis até 2035

Documento marca os 50 anos do Proálcool e apresenta diretrizes para transformar metas climáticas em ações concretas em setores como aviação, navegação e indústria pesada O setor brasileiro de biocombustíveis lança na COP30 a Carta de Belém, documento que propõe um esforço internacional coordenado para quadruplicar a produção e o uso de combustíveis sustentáveis até 2035, em linha com recomendações da Agência Internacional de Energia (IEA). O texto é assinado pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Associação Brasileira de Bioenergia (Bioenergia Brasil), Instituto Mobilidade de Baixo Carbono Brasil (Instituto MBCBrasil) e União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA), que conduziu a elaboração do documento. A Carta de Belém traz um diagnóstico direto: o mundo está atrasado na descarbonização da mobilidade e não cumprirá o Global Stocktake sem combinar eletrificação, combustíveis sustentáveis e novas rotas tecnológicas. O documento usa o caso brasileiro como evidência prática dessa convergência. Após cinco décadas de políticas como o Proálcool e o RenovaBio, o Brasil consolidou uma das matrizes energéticas mais limpas entre grandes economias, com 29% de bioenergia e 20% de outras fontes renováveis, e ampliou a oferta de bioeletricidade, que alcançou 21.000 GWh em 2024, o equivalente a 4% do consumo nacional. “O etanol é uma tecnologia comprovada, escalável e integrada às cadeias produtivas. O Brasil mostrou que é possível descarbonizar enquanto se gera emprego e competitividade”, afirma Evandro Gussi, presidente da UNICA. “A Carta de Belém traduz esse aprendizado em diretrizes para que outros países possam avançar com segurança e velocidade.” Além do papel do etanol, a carta dedica atenção à complementaridade entre combustíveis sustentáveis e eletrificação. O texto afirma que, especialmente em países com forte base agrícola e infraestrutura de recarga limitada, a combinação entre híbridos flexfuel, etanol, biometano e eletricidade constitui a rota mais eficiente para redução rápida de emissões na frota leve. “A aposta em diferentes tecnologias é o melhor caminho para acelerarmos a descarbonização. Os biocombustíveis são aliados fundamentais nessa jornada, como já mostra o Brasil, e permitem a redução imediata das emissões, com impacto real no transporte leve e pesado”, diz Igor Calvet, presidente da Anfavea. A carta também enfatiza o potencial de expansão do biometano no Brasil. A partir de resíduos agrícolas e urbanos, o país poderia produzir até 120 milhões de Nm³ por dia, volume suficiente para substituir 60% do diesel consumido no transporte nacional. O documento classifica o biometano como combustível de baixa ou negativa intensidade de carbono, aplicável ao transporte pesado, logística, indústria e, na forma de BioLNG, à navegação. “A Carta de Belém consolida a mensagem que estamos trazendo ao mundo: os biocombustíveis são parte estratégica da solução climática do Brasil. O setor está unido para mostrar que etanol, bioenergia e combustíveis de baixa emissão já entregam resultados concretos em descarbonização, desenvolvimento regional e segurança energética. Este é um momento decisivo para afirmar o Brasil como líder global em energia limpa — e estamos apresentando essa visão de forma clara, integrada e propositiva”, afirma Mário Campos, presidente da Bioenergia Brasil e da SIAMIG Bioenergia. Além da agenda doméstica, a carta dialoga diretamente com avaliações de organismos globais sobre o papel dos combustíveis sustentáveis. No plano internacional, a carta reforça avaliações da Agência Internacional de Energia (IEA), da Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO) e da Organização Marítima Internacional (IMO) de que combustíveis sustentáveis — líquidos, gasosos e derivados de hidrogênio — serão decisivos para reduzir emissões na aviação, navegação e indústria pesada. O documento lembra que cerca de 70 países já adotam mandatos mínimos de mistura e que a expansão dessas rotas precisa vir acompanhada de ganhos sociais: geração de emprego no campo, renda em regiões produtoras e fortalecimento de cadeias de valor de baixo carbono. Para os signatários, reconhecer esses co-benefícios é condição para uma transição energética justa e inclusiva. “A Carta de Belém é a prova de que a liderança climática do Brasil não é apenas baseada em visões de longo prazo, mas em 50 anos de resultados concretos. Aprendemos no campo e na indústria que a descarbonização eficaz é aquela que também gera emprego e fortalece a economia. Nossa mensagem ao mundo é que não há uma solução única. A rota brasileira, que une o sucesso do etanol, o potencial do biometano e do biodiesel, e o avanço da bioeletrificação, é um caminho testado e disponível para acelerar a transição global de forma justa, imediata e pragmática”, afirma o presidente do Instituto MBCBrasil, José Eduardo Luzzi. A carta estima que a transição exigirá US$ 29 a 30 trilhões até 2030 e defende que até US$ 1,3 trilhão sejam direcionados a combustíveis sustentáveis em países em desenvolvimento. O texto apoia o Compromisso de Belém – Belém 4x e pede previsibilidade regulatória e financiamento acessível. Para os signatários, a experiência brasileira coloca o país em posição de influenciar uma transição global mais rápida e inclusiva — com o objetivo de reduzir emissões de forma efetiva, ampliar a segurança energética e garantir que os benefícios da descarbonização alcancem tanto economias avançadas quanto nações em desenvolvimento.
Alta do biodiesel pressiona preço do diesel: variação chega a 57% entre 2020 e 2025

Segundo dados do Gasola by nstech, entre 2020 e 2025, o preço do diesel no Brasil teve um aumento expressivo, acompanhando a alta dos combustíveis em geral Recentemente, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, participou do Fórum de Debates, organizado pela Confederação Nacional de Transportes (CNT), evento que reuniu, em Brasília (DF), autoridades públicas, empresários e especialistas em sustentabilidade. Na ocasião, Chambriard afirmou que a estatal estava preparada para atingir, futuramente, o nível de 25% na mistura do biodiesel no diesel e que era “capaz de fornecer um diesel com conteúdo vegetal, estável, perfeito em termos de estrutura”. Desde 1º de agosto de 2025, após decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), a mistura do biodiesel no diesel está em 15% e este tema tem gerado debate quanto a qualidade dos combustíveis e também quanto às consequências da elevação da porcentagem para o bom funcionamento dos veículos que os utilizam. Além da questão da qualidade, outra questão deve ser levada em consideração sobre o biodiesel: o preço. Segundo dados apurados pelo Gasola by nstech, empresa de tecnologia que atua na gestão e monitoramento de consumo de combustíveis, entre 2020 e 2025, o preço do diesel no Brasil teve um aumento expressivo, acompanhando a alta dos combustíveis em geral. Nesse período, o litro do diesel subiu cerca de R$2,19, uma variação próxima de 57%. Já o biodiesel teve uma alta ainda maior, de quase 98%. Além disso, a mistura obrigatória também aumentou: em 2020, o percentual médio era de 12%, e hoje está em 15%, com previsão de chegar a 25% nos próximos anos. De acordo com Vitor Sabag, especialista em combustível do Gasola, o biodiesel tem um custo por litro superior ao do diesel comum vendido pela Petrobras, por isso, é natural que esse aumento na proporção acabe influenciando o preço final nas bombas. Isso não significa que o biodiesel seja o vilão da história, mas, sim, que é preciso considerar seus impactos na ponta, especialmente para quem roda muito, como é o caso das transportadoras e frotistas. “A transição para combustíveis mais sustentáveis é importante, mas precisa vir acompanhada de planejamento, previsibilidade e diálogo com o setor, para que os custos não fiquem desproporcionais e não afetem a competitividade do transporte rodoviário de cargas”. Outro ponto que merece atenção é a produção deste combustível. Sabag explica que embora ele possa ser produzido a partir de diversas matérias-primas, a maior parte da produção nacional ainda é concentrada no óleo de soja, que sofre bastante com a volatilidade do mercado agrícola. Com o aumento gradual do percentual obrigatório na mistura, a demanda por biodiesel cresce, o que naturalmente pressiona os preços para cima. Além disso, há custos logísticos, de armazenagem e de produção que tornam o biodiesel, hoje, mais caro do que o diesel, e esse custo a mais acaba chegando no preço final pago pelos frotistas e transportadoras. Apesar das questões que envolvem o biodiesel no Brasil, o especialista entende a necessidade do aumento da mistura de biodiesel, especialmente dentro do contexto de transição energética. “O biodiesel é uma alternativa viável no Brasil, especialmente quando consideramos que o país está entre os maiores produtores mundiais. Essa escala traz vantagem: temos matéria-prima, know-how, infraestrutura em construção e um programa nacional de mistura obrigatória que dá previsibilidade”. No entanto, é essencial considerar a realidade do Transporte Rodoviário de Cargas no Brasil, modal que é responsável por 70% do transporte de mercadorias, segundo dados da CNT, onde grande parte da frota é antiga e possui idade média de 18 anos. “Muitos desses caminhões talvez não estejam preparados para trabalhar com percentuais elevados de biodiesel, o que levanta preocupações técnicas e de custo”. Para efeito de comparação, na Europa, que também utiliza biodiesel, especialmente em países da União Europeia, o foco não é apenas aumentar a mistura de biocombustíveis, mas, sim, combinar várias frentes: biocombustíveis mais avançados, combustíveis sintéticos, elétricos, híbridos, políticas que consideram o motor, a frota, o uso urbano ou rodoviário. Sabag finaliza explicando que para o Transporte Rodoviário de Cargas o biodiesel pode entrar como parte importante da solução, mas não como único caminho. O Brasil pode aprender com a Europa a importância de preparar a frota, garantir compatibilidade técnica, adaptar logística e ter políticas de suporte (incentivos, certificações, infraestrutura de abastecimento) para que a alternativa seja sustentável em todos os sentidos: técnico, ambiental e econômico. “A tendência global é caminhar para uma matriz energética mais limpa, e o biodiesel tem seu papel dentro desse processo, mas como parte de um conjunto de soluções, que inclui também eletrificação e outros combustíveis renováveis. Do ponto de vista macroeconômico, o desafio é garantir que a produção de biodiesel seja sustentável e competitiva, sem gerar distorções nos custos logísticos ou pressionar a cadeia, e o Brasil tem potencial para ser um fornecedor estratégico nesse cenário”.
Salão do Automóvel volta a São Paulo trazendo o futuro da mobilidade

Com R$ 140 bilhões de investimentos previstos até 2033, setor automotivo brasileiro vive um novo ciclo de inovação, tecnologia, geração de empregos e sustentabilidade O Salão Internacional do Automóvel está de volta. Após sete anos de pausa, o maior evento do setor automotivo da América Latina retorna com um formato inovador, que reflete o momento de transformação da indústria nacional. Com 65 anos de história, o Salão é fruto da parceria entre a Anfavea e a RX (Reed Exhibitions). O evento será realizado de 22 a 30 de novembro, no Distrito Anhembi, em São Paulo, e chega renovado, com a proposta de ser um espaço de experiência, tecnologia e mobilidade sustentável, em conexão com o que há de mais atual nos principais salões internacionais. Além dos tão esperados lançamentos e da maior pista indoor de test-drive do mundo, o público vai encontrar simuladores, espaços interativos e painéis sobre inovação e descarbonização que mostram o caminho da indústria brasileira rumo à transição energética. “O Salão do Automóvel sempre foi um espelho do momento da nossa indústria. Nesta edição, queremos mostrar não apenas os produtos, mas o quanto o setor tem se reinventado em eficiência, inovação e sustentabilidade”, afirma Igor Calvet, presidente da Anfavea. “O retorno do evento é também um símbolo da força da indústria nacional, que vem ampliando investimentos, empregos e parcerias tecnológicas no Brasil”, complementa Calvet. A volta do Salão do Automóvel ocorre em meio a um ciclo de retomada da produção nacional e de crescimento dos investimentos em inovação. Segundo dados da Anfavea, as fabricantes se comprometeram a investir R$ 140 bilhões no Brasil até 2033, especialmente em pesquisa e desenvolvimento, o maior plano de modernização já anunciado pelo setor. Os aportes se concentram em eletrificação, eficiência energética, conectividade e novas plataformas de produção. Com isso, o setor automotivo brasileiro mantém sua relevância global, com fábricas ampliando capacidade de exportação e centros de engenharia focados em soluções para os mercados interno e externo. O movimento é acompanhado por avanços regulatórios e ambientais, com programas de descarbonização e de biocombustíveis, áreas em que o Brasil é referência mundial.
IA tem melhorado eficiência de queima de combustível em carros

Além do piloto automático, a inteligência artificial também já atua como um motorista silencioso nos veículos, tornando-os mais seguros A inteligência artificial (IA) deixou de ser vista apenas como o futuro para se tornar uma realidade palpável no mundo automotivo. Longe dos holofotes dos carros totalmente autônomos, a IA atua nos bastidores, otimizando o desempenho e a segurança de veículos que já circulam nas ruas. Essa presença discreta, mas poderosa, está em sistemas de controle eletrônico que ajustam a mistura de combustível do motor, garantindo uma queima mais eficiente, ou em sistemas multimídia que respondem a comandos de voz, personalizando a experiência do condutor. O grande salto, porém, está nos Sistemas Avançados de Assistência ao Motorista (ADAS). A avaliação é do professor de Engenharia Mecânica do Centro Universitário FEI, Cleber Willian Gomes. Segundo ele, esses sistemas, que se tornam cada vez mais comuns, usam uma combinação de câmeras, radares e sensores para identificar riscos, desde a presença de pedestres até a iminência de uma colisão. A IA consegue até mesmo ler as faixas da estrada e detectar sinais de fadiga do motorista, intervindo para evitar acidentes. “A IA é um elemento chave para tornar o veículo mais inteligente, adaptativo e seguro”, diz Gomes. A democratização dessa tecnologia é um processo em andamento na visão do professor. Montadoras usam plataformas comuns para diferentes modelos, o que barateia a produção e permite que os algoritmos de IA sejam aplicados em larga escala. “A legislação de segurança tem um papel crucial, tornando a tecnologia obrigatória e impulsionando o mercado”, comenta o professor da FEI. A otimização proporcionada pela inteligência artificial também se torna um diferencial competitivo, impactando a decisão de compra dos consumidores. O professor da FEI também indica que a IA atua na manutenção dos veículos. Os diagnósticos baseados em inteligência artificial são altamente confiáveis e funcionam como um complemento valioso para a experiência humana. “A IA pode até prever o melhor momento para a troca de peças como filtros e lubrificantes e outros componentes, evitando trocas desnecessárias e gerando economia para o motorista e menor impacto ambiental”, afirma. Ainda para o professor da FEI, nesse contexto de mobilidade urbana, a IA também é a chave para a criação de “cidades mais inteligentes”, onde os veículos poderiam se comunicar com toda a infraestrutura. “Nesta condição poderíamos ter veículos trafegando a 120 km/h a uma distância de 5 metros, por exemplo, e ainda assim de forma segura. Imagine o quanto poderia ser economizado de recursos de investimentos em novas vias públicas, no menor tempo de trajeto e principalmente quantas vidas poderiam ser salvas”, pontua o professor. Ele acredita que, apesar dos desafios regulatórios e técnicos, a IA é a oportunidade definitiva para um trânsito mais seguro, confortável e econômico para todos.
Associadas à Abeifa projetam fechar 2025 com 130 mil unidades importadas

As dez marcas filiadas à Abeifa – Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores, com licenciamento de 12.511 unidades, anotaram em outubro último alta em suas vendas de 2,8% ante setembro, quando foram comercializadas 12.167 unidades. Comparado a outubro de 2024, o aumento é de 26,6%: 12.511 unidades contra 9.880 veículos. No acumulado de 2025, veículos importados mais as unidades aqui produzidas, a Abeifa soma agora 108.255 unidades, 32% mais em relação ao ano passado, quando foram emplacadas 81.988 unidades. Os dados de emplacamento de veículos eletrificados no período de janeiro a outubro continuam expressivos: os 100.749 veículos eletrificados Da Abeifa respondem por 46% do mercado interno total de 219.032 unidades emplacadas. Para o presidente da Abeifa, Marcelo Godoy, “nossas associadas devem fechar o ano de 2025 com volume superior a 130 mil unidades importadas, o que representará um crescimento expressivo de 24% sobre as 104,7 mil unidades do ano passado. E certamente vão superar nossas expectativas do início do ano, quando indicávamos que o total anual chegaria a 120 mil unidades”. Na avaliação de Godoy, juros elevados e restrição de crédito são fatores inibidores no varejo automotivo brasileiro, “mas as marcas importadas estão se comportando muito bem, resilientes, à espera de dias melhores em 2026, quando as autoridades monetárias já sinalizam revisões da Selic para baixo, como correu neste início de semana”. Em outubro último, com 12.511 unidades licenciadas (importados + produção nacional), a participação das associadas à Abeifa foi de 5% do mercado total de autos e comerciais leves (247.877 unidades). As 108.255 unidades emplacadas nos primeiros dez meses do ano mantiveram marketshare de 5,3% do total de 2.054.956 unidades do mercado interno brasileiro de automóveis e comerciais leves.