Fechamento da 1.ª quinzena de autos e leves registra crescimento, mas aumento das taxas de juros reduz o ritmo de novos negócios

Por: Marcelo Cavalcante de Lima O setor de automóveis e comerciais leves já sente os efeitos do aumento das taxas de juros nos financiamentos de veículos, reduzindo o ritmo de negócios em muitas concessionárias. A primeira quinzena de maio fechou com 94.430 unidades, esse volume representa um crescimento de 2,76% em relação ao mês de abril, quando comparamos com o mesmo período de 2024 as vendas avançam 15,81%. No acumulado do ano já foram vendidos 809.188 veículos, volume 4,69% acima do realizado no ano de 2024, na comparação com o ciclo pré-pandemia o setor recua 10%. As vendas diretas fecharam a quinzena com uma participação de 52,45% com um volume de quase 50 mil veículos, enquanto o varejo vendeu 44.900 unidades, com uma participação de 47,55%, as locadoras seguem sendo fundamentais para o desempenho do setor. A chegada das novas entrantes em um mercado ainda em processo de recuperação diminui a fatia do mercado, em 2024 o número de concessionárias registrou um crescimento de 6% em relação ao ciclo 2020/2021. Segundo o Sr. Marco Antônio R. Mota , Diretor do Grupo Motauto que representa as marcas Nissan e Fiat (Ubá MG), o volume de vendas projetadas para a 1.ª quinzena registrou recuo acima de dois dígitos. Destacamos que o impacto na queda das vendas do varejo é muito maior fora das capitais, onde se concentram a maior parte das matrizes das locadoras e grandes frotistas. O Sr. Marcos M Marques, Gerente Nacional de Vendas da HPE Automotores do Brasil, fabricante dos veículos Mitsubishi, já relata crescimento no fluxo de novos negócios com o lançamento da nova Pick-up Mitsubishi Triton. O Sr. André Scinocca Operador no Grupo DAHRUJ das marcas Nissan e BYD, relata queda nas vendas da Nissan na 1.ª quinzena em relação ao projetado, já a BYD está mantendo um bom fluxo de negócios ancorados por uma ação comercial favorável aos novos compradores. Ele destaca que o fluxo de loja não diminuiu nas concessionárias em que ele é responsável, porém o percentual de fechamento caiu, conforme ele pontua o cliente não está comprando de primeira. O Sr. Davidson de Morais, Diretor da Plataforma Auto Avaliar, reporta que em conversas com os concessionários encontra diversos cenários, os mais citados são queda no fluxo, reprovação de crédito, tempo mais alongado para a tomada de decisão. O Sr. Leonardo Petersen, especialista em Gestão de Concessionárias, relata queda de fluxo, dificuldade de aprovação de crédito, crescimento do estoque de seminovos e demora para a tomada de decisão. Os relatos acima demonstram que o ano será de muito trabalho para as concessionárias e fabricantes, exigindo uma maior eficiência de gestão para a tomada de decisão, a grande dificuldade é que a oferta de novos produtos aumentou, o número de concessionárias cresceu e o mercado tem uma expectativa moderada de crescimento. RANKING DE MARCAS O demonstrativo das vendas da 1.ª quinzena demonstra a dificuldade enfrentada pelos concessionários, entre as 20 marcas mais vendidas, doze registram queda em relação ao mês anterior. O mês é longo e a tendência é de recuperação, com certeza absoluta vamos superar em mais de 10% as vendas realizadas em maio de 2024, quando foram vendidos 183.214 veículos, destacando que no ano anterior o feriado de Corpus Christi foi no final do mês, comprometendo o fechamento. Enquanto algumas marcas registram quedas acima de 15% outras como a Fiat, Hyundai, Jeep e GWM tem um excelente desempenho na primeira quinzena. A liderança permanece com a Fiat, a marca anota um crescimento no mês de 13,65%, com vendas de 20.185 unidades, no acumulado do ano já foram vendidos 173.679 veículos, avançando 7,56% ante o ano anterior. Sua carteira de vendas de maio está concentra 64,78% nas vendas diretas. Destacando que a marca encerrou o 1.º quadrimestre liderando o varejo e o atacado. A segunda posição é da VW com 15.387 unidades, registrando um crescimento de 4,61%, no acumulado a marca já abre uma vantagem de mais de 40 mil veículos para a GM. A Hyundai é destaque é assume a terceira posição no fechamento da 1.ª quinzena, com vendas mensais de 10.749 unidades, sua carteira de vendas de maio está concentrada 66% nas vendas diretas. A GM segue com dificuldades, seus principais modelos de vendas anotam queda com a perspectiva de novos lançamentos. A marca lançou uma garantia adicional para os modelos que tem a correia dentada interna, com certeza terá efeitos positivos, mas pode ser abaixo do esperado. Na quinzena ela caiu para a quarta posição e no acumulado segue em terceiro, com registro de queda de 11,67%. A Renault se destaca na quinzena pela grande participação das vendas diretas, 74,40% das vendas de maio foram realizadas através de faturamento direto de fábrica. A Nissan anota uma queda de 16% em relação ao mês anterior, caindo para a 11.ª posição, no acumulado do ano a marca recua 9,27%. O lançamento do Novo Nissan Kicks foi ofuscado pelo excesso de notícias negativas da marca, com anúncio de demissões mundiais e redução de capacidade produtiva. A BYD encerra a quinzena com queda de 17,31%, a tendência é a marca intensificar ainda mais a divulgação e as promoções, se é que é possível, visto que é quase impossível navegar sem ver uma propaganda da marca, novos navios estão chegando e vem com novas novidades. RANKING DE MODELOS Temos novidades no ranking da 1.ª quinzena com a liderança do Hyundai HB20 com 5.631 unidades vendidas, destaque que 79% dos emplacamentos foram realizados através da modalidade de vendas diretas. No acumulado ele está na quinta posição com 26.915 entregas. Na segunda posição está a Fiat/Strada com 5.315 unidades e fecha o trio o VW Polo com 5.244 entregas. O SUV mais vendido na quinzena é o VW/T Cross, que também lidera as vendas do sub segmento. O GM Onix cai para a 7.ª posição enquanto o Toyota/Corolla Cross está em 8.ª, ficando mais uma vez entre os 10 mais vendidos. Os modelos de entrada Fiat/Mobi e Renault/Kwid tem mais de 94% das vendas da quinzena concentrados
Região Sudeste lidera as ocorrências de acidentes em 2024; Estado de São Paulo ocupa primeiro lugar do ranking, com 27% dos registros

Levantamento da nstech com dados da Polícia Federal Rodoviária e da CNT também apontam cargas mais visadas, rotas mais perigosas, períodos e dias da semana; o estudo é divulgado em meio a campanhas de Maio Amarelo De acordo com o Painel CNT de Acidentes Rodoviários de 2024, o Brasil registrou 73.114 acidentes de trânsito no ano, resultando em 6.153 vidas perdidas, uma média de 16 mortes por dia, além de um impacto econômico superior a R$ 16 bilhões. A mesma pesquisa ainda aponta que, em 20% dos sinistros, caminhões estejam envolvidos. No período, dados de um estudo da nstech apontam 1.437 acidentes envolvendo veículos de transporte de cargas. Como forma de conscientização da importância da segurança nas estradas, a companhia lança o relatório juntamente às campanhas de Maio Amarelo, movimento internacional de conscientização para redução de acidentes de trânsito. O levantamento reúne informações operacionais das principais gerenciadoras de risco do país — BRK, Buonny e Opentech — e dados oficiais da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da Confederação Nacional do Transporte (CNT), analisando causas, tipos e padrões de sinistros, além das rotas, horários e perfis de carga mais afetados. A região sudeste apresentou o maior volume de incidências, representando 53% do total. As operações com fracionados e alimentos foram as mais sinistradas em 2024. Juntas, somaram 631 acidentes contra 125 ocorrências envolvendo outros tipos de carga. Na liderança das ocorrências, está o estado de São Paulo (388), seguido por Minas Gerais (208), Rio de Janeiro (142) e Paraná (137). Os quatro estados apresentaram aumento no registro de ocorrências em comparação ao ano anterior, com destaque para o crescimento de 41% em São Paulo, 17% em Minas Gerais e 84% no Rio de Janeiro. Veículos de cargas fracionadas e alimentícias sofreram o maior número de acidentes desde 2023. Em 2024, o número representou cinco vezes mais ocorrências do que transportes de outros perfis de conteúdo (631 x 135). Quanto ao tipo de ocorrência, as colisões lideraram o ranking, totalizando 490 sinistros, um aumento de 50,31% em relação a 2023. O aumento de 58,12% em saídas de pista chama a atenção, visto que, em 2024, foram 117 casos contra 74 em 2023. Os trechos urbanos concentraram o maior número de acidentes em 2024, com 219 sinistros, sendo 45 deles registrados às terças-feiras. As ocorrências nos trechos urbanos foram mais comuns em operações com cargas alimentícias: 113 ocorrências. Entre as rodovias, foram contabilizados 208 acidentes na BR-116 e 106 sinistros na BR-101, considerando operações monitoradas pela nstech. Quanto ao período dos acidentes, assim como em 2023, as manhãs concentraram as ocorrências: foram 34 saídas de pista, 189 colisões e 178 tombamentos neste período do dia. O levantamento também apontou um aumento de 51,1% nos acidentes ocorridos durante a noite. Em 2024, o dia da semana recordista em acidentes foi a quinta-feira. Domingo foi o dia menos crítico para operações de transporte de carga, mas, ainda assim, registrou 129 acidentes. “Prevenção de acidentes vai além de uma preocupação com prazos ou ativos: trata-se de preservar vidas e promover a sustentabilidade no setor. Por isso, a prevenção deve ser encarada como estratégia fundamental — e não como um custo adicional”, reforça Thiago Azevedo, diretor Executivo do Onisys, produto de Prevenção de Acidentes da nstech. Infraestrutura e comportamento ao volante são as principais causas de acidentes O transporte rodoviário é fundamental para manter o Brasil em movimento e, para isso, melhorias na infraestrutura e na segurança das estradas são necessárias. Pesquisa da CNT indica que, em 2024, um total de 2.446 ocorrências como grandes buracos, erosão na pista, queda de barreira, pontes caídas ou outras situações foram identificados nas rodovias. No entanto, segundo o Observatório Nacional de Segurança Viária, nove em cada dez acidentes de trânsito são causados por comportamento humano. Dados do Onisys, produto dedicado à prevenção de acidentes do ecossistema nstech, demonstram que os principais comportamentos de risco em 2024 foram: excesso de velocidade, uso do celular, fadiga e não uso do cinto de segurança continuam entre os atos inseguros mais recorrentes. As longas jornadas de trabalho também contribuem significativamente para o aumento do risco nas estradas. Motoristas frequentemente enfrentam extensas horas ao volante e essa rotina extenuante favorece o surgimento da fadiga extrema, reduzindo os reflexos e a atenção, o que compromete a capacidade de reação diante de imprevistos e aumenta a probabilidade de acidentes. Tecnologia e dados a favor da vida Uma vez que o uso de tecnologia e a adoção de uma cultura de prevenção têm impactos positivos na segurança do transporte, a nstech tem investido fortemente em soluções que unem tecnologia, capacitação e inteligência de dados para tornar o transporte rodoviário mais seguro. A adoção da Onisys, que avalia o desempenho dos motoristas a partir dos dados coletados, destacando padrões de condução e hábitos que necessitam de correção, aposta em foco em dados e aplicação de ações preventivas e corretivas. Além desta, outra solução destaque no uso de dados preditivos para mitigar riscos é a Torre de Prevenção de Acidentes, uma estrutura de gestão e observação que atua como um sistema de monitoramento em tempo real, coletando dados e informações para auxiliar na tomada de decisões e na prevenção de acidentes. O impacto na redução de acidentes também é possível por meio do treinamento de equipes envolvidas – especialmente motoristas – para garantir o uso correto dos recursos tecnológicos e reforçar o comprometimento com práticas de direção segura. “A integração entre tecnologia e educação é um dos principais pilares para tornar o processo mais eficiente e assertivo. Dessa forma, as decisões ficam mais inteligentes à medida que os dados deixam de ser registros e passam a ser instrumentos de transformação”, finaliza Azevedo.
Aliança do Aftermarket reforça papel estratégico na segurança viária durante o Maio Amarelo

Entidades do setor automotivo destacam a importância da manutenção preventiva e da inspeção veicular como políticas públicas de preservação da vida Durante o Maio Amarelo — movimento global de conscientização sobre a redução de acidentes de trânsito — a Aliança do Aftermarket Automotivo Brasil reforça seu protagonismo na defesa da segurança viária, destacando a importância da manutenção preventiva e da regulamentação da inspeção veicular no país. Para a entidade, preservar vidas nas ruas e estradas começa pela valorização da cadeia de reposição, composta por indústria, distribuidores, varejistas e oficinas mecânicas. Formada por seis das principais entidades do setor — ANDAP/SICAP, ANFAPE, ASDAP, CONAREM, SINCOPEÇAS BRASIL, SINDIREPA BRASIL—, a Aliança atua para construir políticas públicas estruturantes que valorizem os serviços de manutenção e assegurem que veículos em circulação estejam em condições seguras. Durante a Automec 2025, a entidade apresentou uma proposta concreta para a implementação nacional da inspeção veicular periódica, tema previsto há anos no Código de Trânsito Brasileiro (Art. 104), mas ainda sem execução plena. A proposta foi detalhada durante o 1º Congresso da Aliança, com destaque para a palestra “Inspeção Veicular: a desconhecida experiência brasileira”. O conteúdo apresentou dados robustos: o Brasil já possui estrutura técnica instalada, com 504 estações de inspeção, cerca de 5.000 profissionais atuando no setor e mais de 30 milhões de inspeções realizadas desde os anos 1990. No entanto, apesar dos avanços pontuais, a falta de regulamentação nacional impede que o país usufrua dos benefícios plenos da inspeção como ferramenta de segurança pública. Durante a apresentação, foram apontados os principais motivos de reprovação de veículos: iluminação (47,58%), pneus e rodas (16,43%), freios (10,31%) e suspensão (6,05%). Esses números evidenciam a urgência de uma cultura sólida de manutenção preventiva, pois esses componentes, quando negligenciados, aumentam significativamente o risco de acidentes fatais. Para a Aliança, estimular a prevenção é um dos caminhos mais eficazes para reduzir as estatísticas de sinistros no trânsito brasileiro. Além da segurança, a proposta da Aliança também se alinha a objetivos de sustentabilidade. A inspeção veicular contribui para a redução da emissão de poluentes e ruídos, tema cada vez mais central na agenda de ESG (ambiental, social e governança). A experiência bem-sucedida de municípios como São Paulo, com inspeções obrigatórias em táxis, escolares e veículos a GNV, mostra que é possível combinar viabilidade técnica com impactos positivos à mobilidade urbana e ao meio ambiente. O Maio Amarelo, ao propor uma reflexão coletiva sobre o valor da vida, oferece o ambiente ideal para que iniciativas como a da Aliança ganhem visibilidade e engajamento. Mais do que uma campanha, é uma convocação para ação conjunta entre sociedade, governo e setor produtivo. A proposta da Aliança traz soluções concretas e viáveis, capazes de transformar o cenário da mobilidade no Brasil. A entidade também propõe que empresas de reparação, retíficas e centros de inspeção veicular sejam reconhecidos como agentes de transformação, valorizando a mão de obra qualificada e o uso de peças e serviços certificados. “A segurança veicular começa na escolha do componente certo, no cuidado técnico e no compromisso com a excelência. Essa é a mensagem que a Aliança reforça neste Maio Amarelo”, destaca a coordenação da iniciativa. Ao liderar esse movimento, a Aliança do Aftermarket se posiciona como uma força articuladora de mudanças estruturais no setor automotivo, reafirmando seu papel não apenas como representante da cadeia de reposição, mas como promotora ativa de soluções que impactam diretamente na segurança e qualidade de vida da população brasileira.
Inscrições abertas para a 5ª edição do Prêmio IQA da Qualidade Automotiva

Interessados podem se inscrever até o dia 4 de agosto em três categorias de premiação: qualidade nos processos produtivos, inovação e novas tecnologias, e produção de conteúdo jornalístico voltado à qualidade na indústria automotiva Estão abertas as inscrições para a 5ª edição do Prêmio IQA da Qualidade Automotiva, que reconhece profissionais e iniciativas de destaque no setor. A premiação contempla três categorias: qualidade nos processos produtivos, qualidade em inovação e novas tecnologias, e produção de conteúdo jornalístico voltado à qualidade na indústria automotiva. O evento conta com o apoio institucional da Anfavea e Abipeças-Sindipeças. Os interessados podem se inscrever até o dia 4 de agosto, no site do evento. A cerimônia de premiação acontecerá durante o 11º Fórum IQA da Qualidade Automotiva, programado para o dia 9 de outubro, em São Paulo (SP). Para garantir uma análise criteriosa, os trabalhos inscritos serão avaliados por uma banca formada por representantes do IQA, Anfavea e Abipeças-Sindipeças. Nas categorias Qualidade nos Processos Produtivos, Qualidade em Inovação e Novas Tecnologias, a avaliação ocorrerá em duas etapas: na primeira, a banca selecionará os 10 projetos finalistas; na segunda, esses finalistas farão uma apresentação online para a Comissão Julgadora, que definirá os três primeiros colocados de cada categoria. Já na categoria Qualidade Automotiva no Jornalismo, a avaliação será realizada em etapa única. “Os vencedores serão premiados com um troféu exclusivo do prêmio, além de receberem, exceto na categoria de jornalismo, um treinamento como parte do reconhecimento pelo seu trabalho”, explicou o superintendente do IQA, Alexandre Xavier. Para mais informações, acesse o site do Prêmio.
Financiamento de veículos cai 11,5% no Estado de São Paulo em abril

Em abril, o Estado de São Paulo foi responsável pelo financiamento de 146,4 mil veículos, entre novos e usados, de acordo com dados da B3. O número representa uma queda de 11,5% em relação ao mesmo período de 2024 e alta de 1% no comparativo com março de 2025. No segmento de autos leves, verificou-se uma redução de 10,4% frente ao mesmo período do ano passado e crescimento de1,5% comparado ao mês anterior. Na categoria de motos, foi registrado uma diminuição de 12,9% na comparação com abril de 2024 e redução de 1,1% em relação a março. O número de financiamento de veículos pesados no Estado foi 11,9% menor em abril, em base anual, e recuou 2,5% frente a março de 2025. A B3 opera o Sistema Nacional de Gravames (SNG), a maior base privada do País, que reúne o cadastro das restrições financeiras de veículos dados como garantia em operações de crédito em todo território nacional.
Inteligência na indústria automotiva: como a tecnologia pode melhorar o pós-venda?

por Lorena França* Quando se fala em setor automotivo, é bem comum o assunto recair sobre inovação, design e desempenho dos veículos. Contudo, uma área que merece igual atenção é o serviço de pós-venda, etapa do atendimento que tende a ser a espinha dorsal de uma marca de sucesso. O motivo dessa afirmação é bem simples: se bem desempenhado, o pós-venda pode garantir a fidelização do consumidor e ter impacto relevante na rentabilidade de longo prazo nas empresas. No entanto, para conquistar a satisfação do cliente, essa etapa exige um engajamento da equipe de atendimento e um bom sistema de gestão integrado. A incorporação desse processo, por sua vez, é uma tarefa complexa que envolve uma consulta precisa a diversas bases de dados, sejam elas estruturadas ou não. Com isso, as informações mais relevantes, como datas de fabricação e venda, revisões, disponibilidade de peças e acessórios, entre outras, devem ser tratadas em uma nuvem robusta. Uma tecnologia com infraestrutura segura e escalável para armazenamento de dados permitirá que o usuário possa consultar e armazenar dados de forma ágil. Além disso, integrar essas bases de dados com outras ferramentas analíticas e de CRM (Gestão de Relacionamento com o Cliente) potencializa ainda mais a capacidade de consolidar informações para entender e antecipar as necessidades dos consumidores. Tendo essa base sólida é possível criar um assistente conversacional com uso de linguagem natural, por exemplo. Por meio desse recurso, o cliente é capaz de consultar informações de forma praticamente instantânea, no formato conversacional, podendo fazer perguntas aos dados, por exemplo. Com isso, a tecnologia é capaz de auxiliar no agendamento de revisões e test drive, respondendo dúvidas frequentes dos veículos, relembrando vencimento de garantia, entre outros. E isso é feito sem a necessidade de intermediários, reduzindo drasticamente o tempo de resposta. Com a aplicação efetiva desse processo, além de garantir a satisfação do cliente em função de um atendimento mais rápido e mais preciso, também é possível ampliar as atividades da equipe de atendimento, como a tomada de decisão de forma facilitada. Isso porque o sistema libera recursos anteriormente dedicados a tarefas repetitivas, permitindo que haja concentração em análises de mais valor agregado, sustentando uma personalização altamente eficaz. À medida que avançamos pela era digital, fica cada vez mais evidente o papel fundamental da tecnologia para ampliar as soluções do atendimento pós-venda na indústria automotiva. Com a implementação de bases de dados robustas e sistemas inteligentes, as empresas estão estabelecendo novos padrões de eficiência e satisfação do cliente, garantindo a fidelização direta com a marca. *Lorena França é account managerda A3Data, consultoria especializada em dados e Inteligência Artificial, parceira da AWS (Amazon Web Services)
Emplacamentos de veículos registram alta de 5,7% no 1º. quadrimestre de 2025

Volume emplacado, entre janeiro e abril de 2025, chega próximo a 1,5 milhão de unidades. O mercado automotivo brasileiro apresentou resultados positivos em abril e no 1º. Quadrimestre de 2025. Entre janeiro e abril de 2025, houve crescimento de 5,7% nos emplacamentos de veículos em relação a igual período de 2024, o que significou a 7ª. posição entre os acumulados de janeiro a abril, no ranking histórico do setor. Já na relação entre abril e março deste ano, a alta chegou a 8,3%, segundo dados divulgados pela Fenabrave – Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores. Este foi o melhor mês de abril desde 2014, conforme a série histórica da Fenabrave. Foram emplacadas 410.752 unidades em abril, frente a 379.376 em março, considerando um dia útil a mais em abril (20) sobre março (19 dias). Comparando abril de 2024 com abril 2025, houve estabilidade, com pequeno acréscimo de 0,05%. “Em abril sobre março, exceto caminhões e implementos rodoviários, todos os segmentos automotivos apresentaram números positivos. Já na comparação com abril do ano passado, que teve 2 dias úteis a mais do que abril de 2025, o desempenho de automóveis e comerciais leves sofreu retração, assim como o crescimento de motocicletas foi mais moderado. A oscilação de dias úteis impacta no resultado dos emplacamentos, mas notamos que, no geral, a evolução está dentro das estimativas da Fenabrave, que projeta um crescimento global próximo de 7% para 2025”, avalia Arcelio Junior, Presidente da Fenabrave. EMPLACAMENTOS DE VEÍCULOS EMPLACAMENTOS – Avaliação por Segmento Avalie os números de emplacamentos de veículos eletrificados Fenabrave mantém projeções para 2025 A federação manteve as projeções para o ano de 2025, mas admite uma possível revisão ao final do 1º. Semestre, quando o cenário econômico estará melhor definido.
Vendas de automóveis e comerciais leves encerram o mês de abril com 7% de crescimento

Por: Marcelo Cavalcante de Lima As vendas de automóveis e comerciais leves encerram o mês de abril com 197.030 unidades, ficando 7% acima do realizado no mês de março e 5,31% abaixo do realizado no mesmo no mesmo período do ano anterior. Como os meses tem dias úteis diferentes outra forma de analisarmos é pela média diária, em abril a média diárias de vendas foi de 9.852 unidades, esse volume diário representou um crescimento de apenas 1,66% em comparação com o mês anterior, na comparação com abril de 2024 o crescimento da média foi de 4,16%. As vendas acumuladas no 1.º quadrimestre foram de 714.758 unidades, registrando um crescimento de 3,38% em relação ao ano de 2024, quando comparamos com o ciclo pré pandemia o setor recua 10,80% ficando inclusive abaixo do realizado no ano de 2018. As vendas de veículos importados vão encerrar o quadrimestre com uma participação acima de 20%, se o ritmo for mantido vamos fechar o ano com mais de 530 mil veículos importados, para efeito de comparação em 2019 a participação dos importados foi de 11% com um volume de 294.541 unidades. O varejo encerrou o quadrimestre com uma participação acumulada de 52,42% com um volume total de 374.644 unidades, registrando uma queda de 0,86% ante o ano anterior. O atacado (vendas diretas) bancou o crescimento do setor nesse primeiro quadrimestre, suas vendas registraram um crescimento de 8,50%, com uma participação de 47,58%, seu volume total foi de 340.114 veículos. Ao contrário do ano anterior, onde o varejo só foi superado pelas vendas diretas no último trimestre, nesse exercício o segundo bimestre teve uma maior participação do atacado, se compararmos as vendas do varejo do mês de abril com o mesmo período do ano anterior, o varejo recuou 10%. Parte das dificuldades do varejo podem serem creditados as próprias montadoras, que diante de um mercado com uma expectativa de crescimento moderado, seguem focando seus esforços em preservar margem, lançando produtos em uma faixa de preço onde menos é mais. Obviamente a perda do poder aquisitivo somado ao crescimento das taxas de juros seguem sendo um grande desafio para toda a cadeia produtiva, muitos consumidores migraram para veículos usados e outros para o setor duas rodas, retornar esses clientes para as concessionárias leva tempo e exige muita estratégia. Diante do cenário atual o crescimento das vendas do atacado é muito bem recebido, sendo inclusive parte da estratégia de quase todas as montadoras, o concessionário perde uma parte de sua margem, mas em contra partida necessita de menos caixa para bancar seus estoques. Outro fator que também justifica esse crescimento das vendas diretas, são as mudanças de hábitos no pós pandemia, o carro por aplicativo ganhou mais espaço em nosso dia a dia. As vendas de novas energias seguem em alta, os dados prévios apontam um volume em abril recorde de 19.848 unidades, anotando um crescimento no mês de 10.50%, no acumulado do ano já foram vendidos 70.563 unidades, o que representa um crescimento de 37,61%. Os veículos PLUG-IN lideraram as vendas no 1.º quadrimestre, em abril essa tecnologia vendeu 7.775 unidades, crescendo 13,92% ante o mês anterior, no ano já foram entregues 26.881 veículos, o que representa um crescimento de 94% ante o ano anterior. Os entrantes chineses são garantem boa parte desse volume e não para de chegar novidades. Os modelos 100% elétricos patinaram no primeiro quadrimestre, foram vendidos em abril 4.704 unidades e no acumulado do ano 17.676, o que representa uma queda de 15%, parte dos novos consumidores dos modelos elétricos estão migrando para as opções híbridas, principalmente as plug-in. Os híbridos leves cresceram somente em abril 43%, no acumulado já foram vendidos 16.496 unidades, representando um crescimento de 198% e os híbridos puros que já lideram as vendas ficaram na 4.ª opção com 9.510 unidades vendidas, recuando 13,47%. ANÁLISE DE VENDAS POR MARCAS Agora chegou aquela a de ver o desempenho do setor por marcas, analisando volume de vendas, participação de mercado, a estratégia individual de varejo e atacado e a comparação dos resultados do mês com o ano anterior e com o ciclo pré pandemia. Algumas marcas tiveram um excelente desempenho no 1.º quadrimestre, enquanto outras já ligaram o alerta, essa é a dinâmica do mercado. O setor segue em seu processo de recuperação, entre as dez marcas mais vendidas 8 apresentaram um volume de vendas abaixo do realizado no pré pandemia. Os mais de 120 milhões em investimentos a serem realizados demonstram a capacidade de reação, mas o setor está ciente das dificultadas a serem enfrentas, nossa torcida é para que todos consigam atingir seus objetivos. A Fiat encerrou o quadrimestre com chave de ouro, suas vendas em abril foram de 42.907 unidades, no acumulado a marca já vendeu 153.494 veículos, registrando um crescimento de 6,88% ante o ano anterior, quando comparado com o ciclo pré pandemia a marca avança 40,81%, Sua carteira de vendas do mês foi concentrada 65,90% na modalidade de vendas diretas e o varejo representou 34,10%. Sua participação de mercado foi de 21,47%, registrando um crescimento de 3,39% o que representa um ganho de Market Share de 0,70%. A VW fechou na segunda posição, suas vendas de abril foram de 32.306 unidades, no acumulado do ano a marca já vendeu 111.130 veículos, registrando um crescimento de 0,79% ante o ano anterior, quando comparado com o ciclo pré pandemia a VW recua 3,49%. Sua carteira de vendas do mês foi concentrada 61,29% na modalidade de vendas diretas e o varejo teve uma participação de 38,71%. Sua participação de mercado foi de 15,55%, registrando uma queda de 2,51% o que representa uma perda de Market Share de 0,40%. A GM fecha o trio do quadrimestre, suas vendas do mês de abril foram de 20.520 unidades, no acumulado do ano a marca vendeu 76.328 veículos, registrando uma queda de 12% ante o ano anterior, na comparação com o período pré pandemia a GM recua 47,14%. A Hyundai foi a marca de volume que apresentou maior crescimento nas vendas
Veja como foi o Elas na Automec

Evento inédito celebra a força feminina no setor automotivo, marca o lançamento da AMMA e reúne grandes nomes em debates sobre equidade, liderança e futuro da indústria. Por Guilherme Carrion A Automec 2025 entrou para a história com a realização do Elas na Automec, o primeiro evento oficial da feira dedicado exclusivamente ao protagonismo feminino. Com organização da Insight Trade, em parceria com a RX Brasil e a RM, o encontro reuniu mais de 200 pessoas – levadas pela AMMA, a recém-lançada Associação Brasileira das Mulheres do Mercado Automotivo – e bateu o recorde de público da Arena de Conteúdo. O evento foi idealizado por Carla Nórcia, CEO da Insight Trade e presidente da AMMA. Ela abriu o encontro com uma fala emocionada, relembrando a tentativa de fundar uma associação feminina há 25 anos. “Eu tinha uma vida corrida, de executiva, de dona de casa, de mãe. Priorizei outras coisas, como muitas de vocês também fazem todos os dias. Mas, como tudo acontece na hora que tem que acontecer… chegou o dia!” Carla também destacou um incômodo recorrente nas edições anteriores da feira, com a predominância masculina na abertura oficial. “Toda vez que a Automec acontecia, eu via um monte de homem cortando a faixa. Apenas homens! E eu pensava: por que não estamos representadas ali? Felizmente, nesta edição já temos uma mulher lá, nos representando.” Um retrato do cenário atual Com sensibilidade e firmeza, Carla convidou o público a refletir sobre os desafios enfrentados pelas mulheres no setor automotivo. Trouxe dados contundentes, que nos fazem pensar: por que, em pleno 2025, ainda estamos tão distantes da equidade? As mulheres representam apenas 21% da força de trabalho no setor. Mesmo com avanços, a diferença salarial ainda persiste. E o dado mais alarmante: apenas 0,6% das mulheres ocupam cargos de liderança. Esses números revelam muito mais do que estatísticas. Eles mostram realidades, histórias e caminhos ainda difíceis de trilhar. E, ao mesmo tempo, reforçam a importância de eventos como o Elas na Automec, repensando estruturas e abrindo espaço para um novo capítulo no mercado automotivo. Ainda assim, Carla prefere enxergar o lado ‘meio cheio’. “Estamos nos juntando para construir algo maior. Está provado que mulheres capacitadas conseguem liderar, tomar decisões brilhantes. A gente está engatinhando, mas engatinhar já é um sinal de evolução.” Homens na escuta O primeiro painel foi uma mesa mista, mediada por Carla Nórcia e Simone Mobensani, com a participação dos executivos Marcelo Gabriel (LA4B), Marcelo Tonon (Frasle Mobility) e Alfredo Bastos Jr. (MTE-Thomson). Marcelo Tonon reconheceu a importância da presença feminina em sua trajetória. “Tive muita sorte porque, ao longo da minha carreira, só encontrei mulheres que são ou serão referências do setor.” Bastos Jr. destacou a evolução em curso. “A mudança está acontecendo! Não é da noite para o dia, mas estamos vendo a ocupação das mulheres em áreas técnicas. Isso é uma grande evolução.” Marcelo Gabriel foi direto ao ponto e reforçou a urgência do tema. “É inevitável ter diversidade nas organizações. Mas precisamos manter essa pauta viva, provocar incômodo. Não basta dizer que temos mulheres, precisamos olhar quantas estão em cargos de liderança.” Protagonismo feminino Na sequência, o painel 100% feminino trouxe nomes que fazem a diferença no setor: Vanessa Martins (psicoterapeuta existencial), Thais Alves (consultora tributária e de negócios), Camila Bezerra (Auto Esporte, TV Globo) e Talita Peres (gerente de marketing da Rheinmetall e vice-presidente da AMMA). “Isso aqui era um ideal que carregamos por anos. Agora, a hora chegou!”, celebrou Talita. Camila relembrou os desafios vividos em duas décadas no setor e a necessidade constante de provar sua competência. “Já fui chacota por defender o que eu acreditava. Tive que estudar muito, provar que sabia. Isso nos endurece, às vezes nos afasta da nossa feminilidade. Mas com o tempo, vamos reencontrando nosso equilíbrio.” Vanessa trouxe uma mensagem de união. “É lindo ver tantas profissões reunidas, tantos sonhos em comum. Nenhuma de nós é tão boa quanto todas nós juntas.” Thais finalizou com um conselho direto. “Seja autêntica. Dê o seu melhor, mesmo que o conhecimento ainda venha com o tempo. A autenticidade revela competências que você nem imaginava ter.” Histórias que inspiram O evento também contou com falas emocionantes de Cris Bove (joalheira e consultora financeira) e Sabrina Carbone (gerente de marketing da Frasle Mobility). Ambas compartilharam suas trajetórias e aprendizados sobre liderança feminina e gestão de marcas no mercado automotivo, emocionando o público com depoimentos autênticos e inspiradores. Cris destacou a importância do autoconhecimento na construção de uma carreira sólida. “Para ter um CNPJ forte, a gente precisa de um CPF forte. É preciso buscar bem-estar, se fortalecer primeiro para que tudo ao nosso redor funcione.” Sabrina reforçou a importância da união entre homens e mulheres para construir um setor mais justo. “A gente não veio competir com os homens. Veio para somar, construir juntos. E espero que, daqui a cinco anos, esse evento seja um símbolo de união, não só de mulheres, mas de um setor mais diverso.” Nasce a AMMA O grande momento da tarde foi o lançamento oficial da AMMA – Associação Brasileira das Mulheres do Mercado Automotivo, com Carla Nórcia como presidente, Talita Peres como vice, Simone Azevedo como diretora, além do apoio de lideranças como Sabrina Carbone, Vanessa Martins, Camila Bezerra e da jovem mecânica Niela. A associação nasce com o objetivo de promover capacitação, networking estruturado e criar um banco de talentos feminino, impulsionando o ingresso e a ascensão das mulheres no setor automotivo. Mais do que um evento, foi um marco histórico para a equidade de gênero no setor automotivo e o início de uma nova era, liderada pela força, talento e representatividade das mulheres.
Right to Repair: O próximo passo é a criação de um Projeto de Lei Federal

O exemplo norte-americano mostra que o caminho é árduo, mas não impossível. Nos EUA dois estados já são obrigados a liberar as informações técnicas Há anos, o Right to Repair (Direito de reparar) é uma luta do setor de reposição automotiva, responsável por mais de 80% da manutenção da frota de veículos do país. Com a criação da Aliança do Aftermarket Automotivo, o movimento tem ganhado mais força sendo, junto à Inspeção Técnica Veicular (ITC), as duas grandes bandeiras da Aliança do Aftermarket Automotivo, formada pelas principais entidades do setor: Andap/Sicap, Anfape, Asdap, Conarem, Sincopeças Brasil, Sindirepa Brasil e Afer, durante a assinatura da Carta de Fortaleza, na Autop, em 2022. O Right to Repair nada mais é do que garantir ao consumidor o direito de escolher onde quer reparar o seu veículo. Para isso, as montadoras precisam disponibilizar as informações técnicas para os reparadores independentes. “O Right to Repair é um movimento mundial, dois estados nos Estados Unidos já são obrigados a liberarem as informações técnicas (ver Box). Isso é o certo, e nós nos unimos (Aliança do Aftermarket Automotivo) porque se não tivermos força, não conseguiremos disseminar essa ideia para todo mundo se unir no Brasil. Queremos uma legislação que dê direito ao consumidor reparar o seu veículo onde quiser e o acesso às informações para as oficinas independentes poderem fazer o diagnóstico e reparar os veículos, defendeu Antonio Fiola, Presidente do Sindirepa Brasil e Sindirepa-SP. Segundo Renato Fonseca, presidente da Anfape, “a Aliança do Aftermarket Automotivo vai proporcionar que a gente enfrente esses e outros problemas complexos de forma organizada e unida. A experiência norte-americana (ver Box) na defesa do direito dos consumidores, na defesa do mercado independente de autopeças, mostra que o caminho é árduo e longo, e nós devemos superar diversas barreiras. Não pedimos nada mais, nada menos, do que o direito de competir. Nós queremos competir e dar ao consumidor o direito de escolha”, explicou. Projeto de Lei Federal Advogada especializada em Direito Tributário e defensora do movimento Right to Repair no Brasil, Dra. Raquel Preto, abraçou a causa da Aliança do Aftermarket Automotivo. “O Direito de Reparar ganhou grande projeção no planeta inteiro. Quase a metade dos países desenvolvidos têm alguma regulamentação de Direito de Reparar. É natural que assim seja, quando compramos um carro, um eletrodoméstico ou um eletroeletrônico, temos o direito de consertar e escolher onde consertar. Estamos trabalhando intensamente em uma regulamentação e no reconhecimento legal do Direito de Reparar. Eu tenho fé de que o Congresso Nacional vai ser bastante sensível ao que nós vamos apresentar nas próximas semanas”, afirmou. Direito de Reparar nos Estados Unidos Nos Estados Unidos, uma pesquisa feita pela Auto Care Association revelou que entre mais de mil oficinas participantes, 63% relataram dificuldades para acessar dados com frequência semanal ou diária e 51% dos reparadores gastam ao menos quatro horas semanais tentando acessar informações de veículos, muitas vezes sem sucesso. A Auto Care Association reúne cerca de 3.000 membros e aproximadamente 1.500 empresas afiliadas do setor automotivo. De acordo com Bin Hanvey, presidente & CEO da Auto Care Association, “essa barreira à informação técnica causa prejuízos reais ao direito do consumidor e, claro, à sustentabilidade econômica dos players do aftermarket independente dos Estados Unidos. Uma evasão de US$ 3 bilhões nos Estados Unidos, pela impossibilidade de diagnosticar pela ausência de dados”, explicou. Nos Estados Unidos, dois estados, Massachusetts e Nova York, aprovaram leis de Direito de Reparar, em 2020 e 2022, respectivamente. Antes da aprovação em Massachusetts, relatou Hanvey, as montadoras despenderam de mais de US$ 30 milhões para coibirem os consumidores, alegando que seus dados e até os seus carros seriam roubados. “Apesar da campanha, 82% da população votou a favor do direito de reparar”, ressaltou. A Auto Care Association tem sido uma voz ativa para a mobilização do Direito de Reparar também em outros país, como o Canadá, Austrália, Nova Zelândia, União Europeia e o Brasil.