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Copom mantém a taxa Selic em 15,00% a.a.

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa básica de juros (Selic) em 15,00% ao ano, diante de um cenário global adverso e persistentes pressões inflacionárias. A decisão reflete a estratégia de segurar a inflação dentro da meta, em um contexto de expectativas desancoradas e incertezas tanto no ambiente internacional quanto no doméstico. No plano externo, a conjuntura econômica dos Estados Unidos — especialmente em relação à política fiscal e comercial — tem afetado a volatilidade dos mercados e as condições financeiras globais. Isso aumenta os riscos para países emergentes, que ainda enfrentam instabilidades geopolíticas e precisam calibrar suas políticas com mais cautela. No Brasil, o ritmo da atividade econômica mostra sinais de moderação, como já era previsto, mas o mercado de trabalho permanece aquecido. A inflação acumulada e seus núcleos continuam acima da meta, o que reforça o desafio da autoridade monetária. As expectativas captadas pela pesquisa Focus apontam inflação de 5,1% em 2025 e 4,4% em 2026 — ambas acima do centro da meta. Já a projeção do Copom para o primeiro trimestre de 2027, considerado o novo horizonte relevante, está em 3,4%. Segundo o Comitê, os riscos para a inflação seguem elevados em ambas as direções. Do lado altista, pesam fatores como a persistência da inflação de serviços, uma eventual desancoragem prolongada das expectativas e impactos das políticas econômica e cambial. Entre os riscos baixistas estão uma possível desaceleração mais forte da atividade interna, uma queda nos preços das commodities e um desaquecimento global mais profundo, impulsionado por incertezas comerciais. O Copom destacou também a preocupação com os anúncios recentes dos EUA sobre possíveis tarifas ao Brasil, além do acompanhamento contínuo da política fiscal local e seus reflexos sobre os ativos e a política monetária. Nesse ambiente de alta incerteza, o Comitê entende que uma taxa de juros elevada e mantida por um período prolongado ainda é necessária para garantir a convergência da inflação à meta. A decisão unânime de manter a Selic foi tomada por Gabriel Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Diogo Guillen, Gilneu Vivan, Izabela Correa, Nilton David, Paulo Picchetti, Renato Gomes e Rodrigo Teixeira. O Comitê reforçou que segue vigilante e poderá retomar o ciclo de alta dos juros, se as condições assim exigirem. Tabela 1 Projeções de inflação no cenário de referência Variação do IPCA acumulada em quatro trimestres (%) Índice de preços 2025 ​2026 1º tri 2027 IPCA 4,9 3,6 3,4 IPCA livres 5,1 3,5 3,3 IPCA administrados 4,4 4,0 3,9 No cenário de referência, a trajetória para a taxa de juros é extraída da pesquisa Focus e a taxa de câmbio parte de R$5,55/US$, evoluindo segundo a paridade do poder de compra (PPC). O preço do petróleo segue aproximadamente a curva futura pelos próximos seis meses e passa a aumentar 2% ao ano posteriormente. Além disso, adota-se a hipótese de bandeira tarifária “verde” em dezembro de 2025 e de 2026. O valor para o câmbio foi obtido pelo procedimento usual. 

Autopeças em foco: CBCPAVE discute parcerias com a GM, inspeção veicular e agenda legislativa

A Câmara Brasileira do Comércio de Peças e Acessórios para Veículos (CBCPAVE) reuniu lideranças empresariais e sindicais em Brasília, no dia 22 de julho, para discutir iniciativas que impactam diretamente o setor automotivo. O encontro aconteceu na sede da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), com coordenação de Ranieri Palmeira Leitão e mediação de Andréa Marins, da Assessoria das Câmaras Brasileiras da CNC. Representantes de federações estaduais, do Sincopeças Brasil, da General Motors (GM), técnicos da CNC e convidados participaram da reunião. Luiz Carlos Bohn, coordenador-geral das Câmaras da CNC, também esteve presente por videoconferência. Entre os principais temas debatidos, a General Motors apresentou duas propostas de parceria com o setor. A primeira, chamada Parceiro Chevrolet, oferece condições especiais para empresas (CNPJ) na compra de veículos zero quilômetro da marca, com acesso por meio de uma plataforma digital. Já o programa Amigos Chevrolet é voltado aos colaboradores (CPF), garantindo benefícios exclusivos na aquisição de veículos. Ambas as iniciativas são atualizadas mensalmente, sem custo para as entidades participantes, com foco na ampliação do acesso à mobilidade para empresas e funcionários. A reunião também abordou a regulamentação da Inspeção Técnica Veicular (ITV). A análise apresentada por Guilherme Cardoso, da Gerência Executiva de Análise e Desenvolvimento Econômico e Estatístico da CNC, mostrou que falhas mecânicas estão presentes em cerca de 6% dos acidentes nas rodovias federais. Com potencial de reduzir sinistros entre 5% e 10%, a ITV se mostra uma medida eficaz para a segurança viária. Embora prevista no Código de Trânsito desde 1997, ainda aguarda regulamentação. O debate legislativo teve destaque na apresentação de Felipe Miranda, da Diretoria de Relações Institucionais da CNC, que citou projetos em tramitação no Congresso com impacto direto no setor de autopeças. Entre eles, o PL 5.301/2016, que trata da regulamentação da ITV; o PL 338/2015, que obriga a manutenção de peças por até 10 anos após o fim da produção; e o PL 4.821/2016, que exige o fornecimento digital das especificações técnicas das peças, fortalecendo o comércio independente. Na área de inovação, Danilo Fraga, CEO da Fraga Inteligência Automotiva, apresentou soluções tecnológicas para aprimorar a gestão comercial, ressaltando a importância de plataformas integradas de dados diante da complexidade crescente da frota circulante. A empresa já conta com dados de mais de 2 mil fabricantes, 250 distribuidores e 18 mil usuários ativos. Encerrando a programação, o período da tarde foi dedicado ao planejamento estratégico da CBCPAVE. A proposta é mobilizar sindicatos estaduais para mapear parlamentares alinhados às pautas do setor, ampliando a atuação política da Câmara em prol do comércio de autopeças.

Motociclistas no Brasil: frota cresce e número de habilitados ultrapassa os 40 milhões

Alagoas, Amazonas, Bahia e Piauí apresentaram o maior aumento entre os estados As motocicletas e os motociclistas têm ganhado cada vez mais espaço e relevância no Brasil. Atualmente, a frota nacional ultrapassa os 35 milhões de veículos, representando um aumento de 42% ao longo da última década. De acordo com os dados da Secretaria Nacional de Trânsito – SENATRAN, analisados pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares – Abraciclo, esse crescimento expressivo foi acompanhado por uma elevação de 38,4% no número de condutores habilitados na categoria A, específica para veículos motorizados de duas ou três rodas. Hoje, mais de 40 milhões de brasileiros estão aptos a conduzir motocicletas ou similares, evidenciando a importância crescente desse meio de transporte no cenário nacional. Para comemorar o Dia do Motociclista (27 de julho), a Abraciclo divulga um ranking com os estados que apresentaram o maior crescimento porcentual no número de habilitações para motocicletas. O levantamento revela que esse avanço não se limita aos maiores centros urbanos nacionais: Alagoas, Amazonas, Bahia e Piauí lideram a lista, demonstrando que o uso da motocicleta tem se expandido por diversas regiões do País, especialmente fora dos principais polos econômicos. Ranking Estado 2016 2025* Share (%) Variação (%) 2025 1º Alagoas 211.879 394.695 1,0% 86,3% 2º Amazonas 220.789 396.834 1,0% 79,7% 3º Bahia 1.207.453 1.963.168 4,8% 62,6% 4º Piauí 315.297 500.245 1,2% 58,7% 5º Rio de Janeiro 1.115.628 1.746.143 4,3% 56,5% 6º Sergipe 242.913 370.449 0,9% 52,5% 7º Maranhão 414.489 630.882 1,5% 52,2% 8º Ceará 1.064.632 1.610.944 3,9% 51,3% 9º Paraíba 382.409 568.263 1,4% 48,6% 10º Tocantins 326.142 469.854 1,2% 44,1% TOTAL 29.520.716 40.848.708 100,0% 38,4%                                                 Fonte: SENATRAN (*) – Dados até maio/2025 Esses números comprovam que o setor de duas rodas vive um momento histórico. A motocicleta se consolida como uma das principais soluções de mobilidade no Brasil, além de ser uma ferramenta essencial de trabalho e geração de renda para milhões de brasileiros.

Panorama econômico: relatório aponta inflação acima da meta e juros elevados em 2025

As projeções mais recentes do mercado financeiro, reunidas no Relatório Focus divulgado em 18 de julho pelo Banco Central do Brasil, revelam um cenário de expectativas cautelosas para a economia brasileira em 2025. Apesar de sinais de desaceleração inflacionária e perspectivas estáveis de crescimento, os juros altos e os desafios fiscais seguem no radar dos analistas. Inflação segue pressionada A estimativa do mercado para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2025 é de 5,29%, acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, de 4,5%. Embora o índice tenha sido revisado para baixo nas últimas semanas (com algumas casas prevendo 5,10%), a inflação ainda preocupa, especialmente por conta dos preços administrados, cuja previsão é de alta de 6,13% neste ano. Selic deve continuar elevada Para conter as pressões inflacionárias, o Banco Central tem mantido uma política monetária restritiva. A taxa Selic, hoje em 15% ao ano, deve encerrar 2025 em 13%, segundo o relatório. A expectativa é de redução gradual nos próximos anos: 12% em 2026, 10% em 2027 e estabilização nesse patamar em 2028. O nível elevado dos juros encarece o crédito e reduz o ritmo da atividade econômica no curto prazo, mas é considerado necessário para ancorar as expectativas inflacionárias. PIB em crescimento moderado A projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025 é de 2,21%, com leve avanço para 2,5% nos anos seguintes. O desempenho é considerado positivo, porém insuficiente para impulsionar mudanças estruturais significativas. A agropecuária segue sendo o principal motor da economia, mas especialistas apontam a necessidade de diversificação e fortalecimento de outros setores, como indústria e serviços, para garantir crescimento sustentável. Câmbio instável As expectativas para o câmbio indicam volatilidade, refletindo o ambiente externo incerto e as questões fiscais internas. A oscilação do real frente ao dólar afeta diretamente os preços de importados e, consequentemente, a inflação. Além disso, um câmbio instável pode influenciar negativamente decisões de investimento e comércio exterior. Contas públicas pressionadas O cenário fiscal segue desafiador. A previsão para o resultado primário em 2025 é de déficit de 0,60% do PIB, enquanto o resultado nominal deve ficar negativo em 6,87%. A dívida pública líquida também permanece em trajetória de alta. Apesar disso, o investimento direto no país deve permanecer em US$ 70 bilhões por ano, sinalizando a confiança de parte dos investidores no potencial de médio e longo prazo da economia brasileira. Perspectiva é de ajuste O Relatório Focus indica que o mercado aposta em um processo gradual de ajuste macroeconômico. A convergência da inflação para a meta, aliada a uma política fiscal mais equilibrada, poderá abrir espaço para uma flexibilização da política monetária nos próximos anos. Por ora, a combinação de juros altos, inflação resistente e déficits fiscais impõe um ritmo moderado de recuperação econômica. Em meio a incertezas globais e pressões internas, o Brasil caminha com prudência. O foco, agora, está na consolidação de expectativas e no fortalecimento das bases fiscais e estruturais para garantir um ciclo sustentável de crescimento. Veja o relatório aqui

O carro digital como modelo: como os ecossistemas interconectados constroem a base para o setor do futuro 

Fabricantes de automóveis e empresas de vários setores ganham em desempenho, segurança e conformidade ao adotar plataformas seguras de interconexão digital Na atual era da digitalização contínua que está transformando radicalmente a maneira como os setores, as empresas e os fornecedores operam e se conectam, a quantidade de dados trocados entre empresas, parceiros e clientes está em constante crescimento. Entre os inúmeros exemplos no mercado para essa tendência, o setor automotivo se destaca: No futuro, o desenvolvimento e o uso de carros autônomos serão baseados em conectividade segura, extremamente resiliente e de alto desempenho, permitindo a troca constante de dados. De acordo com Ivo Ivanov, CEO da DE-CIX, a principal operadora de Internet Exchanges (IXs – pontos de troca de tráfego), com 60 localizações em todo o mundo, o sucesso de um carro digital (e de qualquer serviço ou produto digital) depende diretamente da qualidade e da performance da conectividade com o ecossistema digital. “Os fabricantes de automóveis e muitas outras empresas automotivas exigem conectividade estável e latência mínima (intervalo de tempo), resiliência máxima e segurança de última geração nas trocas de dados para garantir o funcionamento adequado de seus serviços digitais. Isso só é possível por meio da interconexão direta com as redes de conteúdo, aplicativos e dados necessários, de preferência por meio de pontos de interconexão (locais físicos onde diferentes redes de comunicação se conectam para trocar dados diretamente), ou IXs (Internet Exchanges) neutras, seguras e de alto desempenho”, explica ele. Redes sobre rodas Os carros autônomos são um bom exemplo de um ecossistema de dados complexo que permeia desde informações de segurança, tráfego e manutenção de veículos até entretenimento personalizado. A integridade e a privacidade desses dados são cruciais, e qualquer falha afeta diretamente a experiência do usuário e a reputação da marca. Para superar esses desafios, a DE-CIX propõe que os fabricantes adotem ecossistemas de interconexão fechados e seguros, como os grupos fechados de usuários (CUGs), oferecidos pela empresa em suas plataformas IX. Esses ambientes controlados permitem que os fabricantes de automóveis: Da interconexão bilateral ao ecossistema digital Tradicionalmente, o setor automotivo dependia de interconexões bilaterais e soluções como MPLS (Multiprotocol Label Switching), com pouca visibilidade dos fluxos de dados de ponta a ponta. Essa abordagem não atende mais às necessidades do carro digital contemporâneo, que exige capacidade, controle e adaptação regulatória internacional. Com o uso de IXs (Internet Exchanges) como as da DE-CIX, é possível evoluir para um tipo de interconexão “um-para-muitos” ou “muitos-para-muitos”, com controle total sobre os dados e os parceiros envolvidos. Como um verdadeiro IoT (dispositivo conectado) sobre rodas, o carro digital exige os mais altos padrões de segurança, e, como um dos riscos mais críticos é o comprometimento de informações sigilosas do motorista ou a manipulação do veículo, as montadoras podem criar vários CUGs (Closed User Groups – grupos fechados de usuários) em diferentes regiões para lidar com legislações específicas. O Brasil, por exemplo, obriga os fabricantes de carros autônomos a garantir seguros contra acidentes e a manter os ecossistemas digitais sempre atualizados, assegurando o desempenho e a segurança ideal ao veículo. Com interconexões diretas e ambientes de peering (acordo entre duas redes de computadores para trocar tráfego de forma direta e sem custos adicionais) fechados, como os oferecidos pela DE-CIX, é possível rastrear e validar todas as redes envolvidas, eliminando intermediários anônimos e aumentando a proteção contra ameaças cibernéticas. Modelo replicável para outros setores Embora o carro digital seja um exemplo emblemático, o modelo de interconexão defendido pela DE-CIX é aplicável a muitos setores que estão entrando na economia: companhias aéreas, operadores de logística, bancos, sistemas digitais de saúde, hotelaria, fabricação eletrônica e muitos outros. “Ambientes de interconexão fechados, seguros e privados são essenciais para que empresas de todos os setores desenvolvam modelos de negócios digitais com segurança e resiliência desde o início. A interconexão é a espinha dorsal da economia digital e possibilitará o crescimento sustentável e competitivo dos setores no futuro – não apenas para garantir a segurança e a conformidade, mas também como base para a inovação na economia de plataforma”, conclui Ivanov.

62% da indústria automotiva investe em tecnologia buscando impacto comercial a longo prazo

– Relatório mostra que os fabricantes estão apostando em IA, qualificação profissional e inovação para superar desafios operacionais e de força de trabalho Pressões sobre a força de trabalho, investimentos em tecnologia e o impulsionamento do uso de IA foram os principais temas levantados pelos gestores do setor automotivo para a 10ª edição do “Relatório do Estado da Produção Inteligente: edição automotiva”, divulgado pela Rockwell Automation, maior empresa do mundo dedicada à automação industrial e à transformação digital. O estudo global, que reuniu as respostas de 130 líderes do setor automotivo e de pneus, fabricantes de equipamentos originais, empresas de engenharia, aquisições e construção, e integradores de sistemas em 15 países, revelou o cenário atual do setor, bem como as estratégias adotadas pelas empresas para se manterem competitivas no mercado. Os dados mostram que as pressões relacionadas à força de trabalho surgem como o desafio mais urgente, indicando uma mudança significativa em relação aos resultados do ano anterior. Ao mesmo tempo, as preocupações com a cibersegurança diminuíram, o que sugere que muitos fabricantes já avançaram na proteção de seus ambientes digitais. “O futuro da fabricação automotiva depende da transformação, não apenas tecnológica, mas de talentos”, afirma o Vice-presidente Global de Indústria da Rockwell Automation, James Glasson. “À medida que a IA e a automação transformam o chão de fábrica, o sucesso estará nas mãos de quem investe nas pessoas. A capacitação e a inovação são agora as principais forças que impulsionam o crescimento”, explica. As principais descobertas do estudo incluem: O Relatório do Estado da Produção Inteligente faz parte de uma iniciativa global de pesquisa da Rockwell, que ouviu mais de 1.500 tomadores de decisão de produção. As conclusões completas do relatório podem ser encontradas aqui. Metodologia Este relatório se baseia nas respostas de 130 gerentes e executivos de fabricantes automotivos, fabricantes de equipamentos originais (OEMs), empresas de engenharia, aquisições e construção (EPCs) e integradores de sistemas em 15 países. Ele faz parte da 10ª edição do Relatório do Estado da Produção Inteligente, que entrevistou 1.560 tomadores de decisão de diversos setores industriais, em uma pesquisa realizada em parceria com a Sapio Research e a Rockwell Automation.

Vendas de elétricos na Europa crescem 15%, mas mercado geral recua 0,6%

Nos primeiros cinco meses de 2025, as vendas de carros elétricos a bateria na União Europeia atingiram 701 mil unidades, representando 15,4% dos 4,55 milhões de veículos comercializados. Apesar do crescimento de 15% no segmento elétrico, o mercado geral caiu 0,6% em relação a 2024, segundo a Acea. Em maio, foram vendidos 911,6 mil veículos, alta de 1,6% na comparação anual. Alemanha liderou o avanço dos elétricos, com 201 mil unidades (+43,2%), enquanto a França registrou queda de 7,1%. Híbridos também ganharam espaço, com 1,6 milhão de unidades (+19,8%), impulsionados por mercados como França (+38,3%) e Espanha (+34,9%). Já os veículos a combustão perderam terreno: vendas de carros a gasolina caíram 20%, e os a diesel, 27%.

Aumento de 20% no déficit comercial de autopeças atinge US$ 6,2 bilhões

O setor de autopeças no Brasil registrou um déficit comercial de US$ 6,2 bilhões entre janeiro e maio de 2025, um crescimento de 20,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. As exportações alcançaram US$ 3,18 bilhões, enquanto as importações subiram 14,4%, totalizando US$ 9,38 bilhões, segundo dados do Sindipeças. Em maio, as vendas externas de autopeças somaram US$ 1,9 bilhão, com alta de 15,5% na comparação anual, mas o déficit mensal foi de US$ 1,3 bilhão, impulsionado pela estabilidade nas exportações e pelo aumento das importações. A China continua liderando como principal fornecedora, com US$ 1,72 bilhão em vendas ao Brasil, um crescimento de 21,5%. O Sindipeças atribui o avanço das importações à valorização do real frente ao dólar, influenciada por incertezas globais, como a instabilidade na política comercial dos Estados Unidos sob Donald Trump. A desvalorização do dólar tem estimulado as compras externas, com expectativas de que essa tendência persista. No lado das exportações, o Brasil se beneficiou do acordo ampliado com a Argentina, que eliminou tarifas sobre autopeças, elevando as vendas ao país vizinho para US$ 1,3 bilhão, com aumento de 24,6%. A participação argentina no total exportado subiu de 38% em abril para 41% em maio. Já as importações de autopeças argentinas para o Brasil recuaram de 3,9% para 3,6% no mesmo período, apesar de uma alta anual de 1,9%. Principais países nas importações de autopeças (jan-mai 2025): Principais destinos das exportações brasileiras (jan-mai 2025):

Biocombustível impulsiona uso do milho e amplia fronteiras tecnológicas no campo com apoio do melhoramento genético

Produção brasileira de etanol de milho deve alcançar 10 bilhões de litros por ano até 2030, podendo representar até 40% do mercado nacional A produção brasileira de biocombustível derivado do milho cresceu de 520 milhões de litros em 2017 para 4,5 bilhões de litros em 2022, um aumento de 800% em cinco anos. Especialistas projetam que, até 2030, o etanol de milho poderá representar 40% da produção nacional de biocombustíveis, com um volume estimado em 10 bilhões de litros anuais.  A expansão da indústria de etanol de milho no Brasil está diretamente ligada ao avanço do melhoramento genético do cereal. Francisco Soares, presidente da Tropical Melhoramento & Genética (TMG), explica que a busca por híbridos mais eficientes tem sido estratégica para atender à demanda da indústria. “O produtor que mira esse mercado prioriza híbridos que entregam estabilidade de produção, alto teto produtivo, precocidade e bom desempenho em diferentes ambientes. Isso garante o volume necessário para a indústria sem comprometer a rentabilidade”, afirma.  A adoção de híbridos adaptados às condições do Cerrado, principal região produtora do cereal, com maior tolerância a estresses hídricos e térmicos, têm permitido o cultivo em áreas antes consideradas de menor aptidão para a cultura. Os dados da União Nacional do Etanol de Milho (UNEM) revelam uma concentração regional, com Mato Grosso liderando ao saltar a moagem de milho para a produção de etanol de apenas 0,23 milhões de toneladas na safra 2014/15 para impressionantes 12,5 milhões de toneladas na safra 2024/25. “É o melhoramento genético que viabiliza essa expansão. Quando desenvolvemos híbridos mais tolerantes a condições extremas, abrimos novas fronteiras agrícolas com segurança produtiva e rentabilidade para o produtor”, destaca Francisco. Rumo ao destaque global O avanço no melhoramento genético tem garantido ao Brasil maior competitividade na produção de grãos e consequentemente de etanol de milho. Além de elevar a produtividade, a uniformidade e composição dos grãos melhora a eficiência industrial na conversão do amido em etanol. Esse biocombustível também se destaca por reduzir em até 70% as emissões de gases de efeito estufa em comparação à gasolina e por gerar produtos de valor, como o DDG (Dried Distillers Grains) e o óleo de milho. Recentemente, o DDG começou a ser exportado para a China, o que potencializa ainda mais esse modelo produtivo.O País já ocupa a segunda posição no ranking global de produção, atrás apenas dos Estados Unidos, que produziram 16,1 bilhões de galões em 2024 (o equivalente a aproximadamente 61 bilhões de litros), enquanto o Brasil atingiu 8,78 bilhões de galões (cerca de 33,2 bilhões de litros) no mesmo ano, segundo o Statista. “O mercado de etanol de milho no Brasil vive um momento de rápida expansão, impulsionado tanto pela demanda crescente por fontes renováveis de energia quanto pelos avanços tecnológicos na produção agrícola. O melhoramento genético tem sido fundamental para ampliar as fronteiras do cultivo, garantindo maior produtividade e sustentabilidade. Esse biocombustível ganha espaço estratégico na matriz energética nacional, contribuindo para a diversificação e segurança do setor e contribuindo sobremaneira para a industrialização em estados produtores, como exemplo o MT”, completa Soares.

Brasil e Argentina ampliam acordo automotivo com isenção de tarifas para peças

Um novo decreto, assinado pelo presidente em exercício Geraldo Alckmin, foi publicado no Diário Oficial da União em 17 de junho de 2025, expandindo o acordo automotivo entre Brasil e Argentina. A medida facilita o acesso ao mercado bilateral para veículos como ônibus, vans e caminhões de até 5 toneladas, além de zerar as tarifas de importação de autopeças não fabricadas localmente. As empresas que se beneficiarem da isenção tarifária devem investir 2% do valor das importações em pesquisa, inovação ou programas prioritários para o setor automotivo. O decreto incorpora o 46º Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica (ACE) nº 14, assinado em 29 de abril de 2025, após negociações conduzidas pelos Ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e das Relações Exteriores (MRE). O ACE-14, estabelecido em 1990, regula o comércio automotivo entre os dois países e vem sendo atualizado ao longo do tempo. Segundo o MDIC, o novo protocolo aprimora a classificação de produtos e as regras de origem, que definem se um item foi produzido em um dos países, além de desonerar importações e aumentar a competitividade. Alckmin destacou que a medida fortalece o setor automotivo brasileiro, que ocupa a 8ª posição global na produção de veículos e gera mais de 1 milhão de empregos. Em 2024, o setor registrou crescimento de 14,1% nas vendas, impulsionado pelo Programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover), que prevê R$ 19,3 bilhões em incentivos até 2028 e já atraiu R$ 140 bilhões em investimentos privados. O comércio de produtos automotivos representa 50% do fluxo comercial entre Brasil e Argentina, totalizando US$ 13,7 bilhões em 2024. Até maio de 2025, a corrente de comércio bilateral alcançou US$ 12,6 bilhões, um aumento de 26,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.