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Anuário do Comércio de Autopeças destaca aumento da participação dos carros asiáticos na frota nacional

Além de dados da frota, material produzido pelo Sincopeças consolida volume de varejos e atacados de autopeças espalhados pelo país

No último mês de janeiro, o Sincopeças Brasil divulgou a terceira edição do seu Anuário do Comércio de Autopeças. Como de costume, o documento atualizou dados relevantes para todo o Aftermarket Automotivo nacional – desde os mais básicos, como o tamanho e a origem da frota de veículos do país, aos mais específicos a todo o mercado, como os produtos mais consultados junto ao varejo e à distribuição.

No âmbito da frota, um dos principais destaques desta edição 2024/2025 é a crescente representatividade dos veículos asiáticos da linha leve em circulação. Observe no gráfico abaixo que o número de carros das montadoras da Ásia têm aumentado consistentemente desde 2018, enquanto que os americanos e os europeus estão, respectivamente, em queda ou estagnação.

Ainda na temática da frota, um ponto que chama atenção é o fato de que, segundo o anuário, os automóveis elétricos e híbridos irão alcançar o volume de 1 milhão de unidades em circulação pela primeira vez no ano de 2028 – previsão que, se concretizada, marcará um crescimento exponencial de 572% em um espaço de cinco anos.

Veja no gráfico, porém, que, de acordo com a projeção divulgada pelo Sincopeças nacional, o aumento dos elétricos e híbridos não será acompanhado por uma queda progressiva dos veículos a gasolina e/ou etanol, nem tampouco dos veículos movidos a diesel, cenário que endossa os especialistas que há muito têm projetado que a frota brasileira seguirá sendo marcada pelo perfil heterogêneo. Ou, em outras palavras, que, diferente do que se projeta para locais como a China e a Europa, a eletrificação não será a nossa principal marca no futuro próximo.

Especialista minimiza queda de varejos em São Paulo

Um dos pontos altos do anuário do Sincopeças Brasil é a consolidação do número de empresas dedicadas ao comércio de autopeças em cada estado brasileiro. E, nesta edição, um dos pontos que mais saltaram aos olhos foi o fato de São Paulo ser a única, entre todas as 27 unidades da Federação, a apresentar uma queda no número de lojas de autopeças entre os anos de 2022 e 2023, como mostra a tabela.

O fato de o território paulista ter perdido mais de duas mil empresas cadastradas com o CNAE 45307-03 (varejo de peças e acessórios novos) nos dez anos que separaram 2013 e 2023, no entanto, não é visto pelo diretor da Alvarenga Projetos Automotivos e consultor do Sincopeças, Luiz Sergio Alvarenga, como algo significativo. Pelo contrário, segundo ele, ele o movimento reflete apenas um balanço natural do mercado. “Uma das hipóteses em que se pode concentrar é a dança dos CNAEs, isto é, enquanto a reparação de veículos apresenta um deslocamento de seu CNAE principal para o CNAE de varejo de autopeças, o próprio varejo, em intensidade menor, se desloca para o CNAE do distribuidor, fenômenos de ajustes na competição e que podem ser avaliados por inúmeras formas”, afirma.

Neste contexto, vale pontuar, aliás, que em São Paulo o segmento dos distribuidores se movimentou de maneira inversamente proporcional ao dos varejistas de autopeças. Isso

porque, o estado foi aquele que ganhou o maior número de atacadistas durante a última década, saindo de 2262, em 2013, para 2434, em 2023.

Outra diferença que pode ser observada na movimentação nacional da distribuição é que, diferente do varejo, um aumento no número de empresas esteve longe de ser uma quase unanimidade. Afinal, estados importantes como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Bahia têm, hoje, menos atacadistas do que tinham em 2013.

De olho nas peças usadas e remanufaturadas

Presidente do Sincopeças Brasil, Ranieri Leitão abre o Anuário do Comércio de Autopeças com uma análise do cenário que nos trouxe até aqui e das tendências que devem ditar os próximos movimentos de varejistas e atacadistas do setor.

Entre os pontos de destaque do texto da liderança está a preocupação com a competitividade das empresas tradicionais do aftermarket diante da crescente relevância dos marketplaces. Segundo ele, o quadro exige um cuidado dos legisladores com a justiça da competitividade tributária, bem como com a fiscalização da procedência dos produtos.

Outro ponto polêmico, mas crucial, destacado por Leitão é a iminência de um aumento de espaço para as autopeças usadas e remanufaturadas na esteira da inclusão do tema da reciclagem no ‘Mover’, novo programa automotivo do Governo Federal.

Fonte: Lucas Torres, Novo Varejo

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